sexta-feira, março 11, 2016

CRISE DE MARÇO

                                O grupo político que vai às ruas no dia 13 próximo, insuflado pela grande mídia, pela suposta delação de Delcídio Amaral e pelo juiz Moro espetacularizando a luta contra a corrupção, determinando a condução coercitiva de Lula, quiçá sua prisão, tem o direito e o dever de protestar. Todavia, esse grupo possui uma indignação seletiva contra a corrupção, pois aceita em suas hostes políticos como Paulinho da Força Sindical, Agripino Maia, Aécio Neves (citado três vezes na Lava Jato), e, até pouco tempo atrás, pasmem, Eduardo Cunha.
                                   Ninguém em sã consciência, exceto os próprios envolvidos, é a favor da corrupção. Entretanto, no Brasil, nesse momento, a parcela da população que tomou essa bandeira da luta contra a corrupção, se se analisar com atenção, não luta contra a corrupção propriamente dita, mas para derrubar o governo democraticamente eleito e apagar o Partido dos Trabalhadores – PT do mapa político brasileiro.
                                   Aí reside um problema já detectado por alguns analistas políticos, pois o PT não é apenas um partido político, mas um enorme guarda-chuva que encobre um movimento político que surgiu na luta contra ditadura civil-militar brasileira, movimento que veio, como um rio subterrâneo dentro do período autoritário e que cresceu na campanha pelas eleições diretas e ganhou corpo nas eleições de 1989.
                                   Colapsar o PT ao ponto de tirá-lo do mapa significa deixar sem interlocução política esse movimento que representa parcela considerável da sociedade brasileira. Como intermediar as aspirações do MST e do movimento sindical brasileiro sem um ator político representativo?
                                   Penso que esse colapso pode levar a um processo de ruptura institucional sem precedentes na história do Brasil. Assim nascem as guerras civis.
                                   Estamos no meio de uma luta fratricida pelo Poder, falta apenas um cadáver.
           

                                   Celso Gomes

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