segunda-feira, outubro 13, 2014

OS DOIS MINUTOS DO ÓDIO

OS DOIS MINUTOS DO ÓDIO

A disputa eleitoral esta dificílima e a direita brasileira, animada com a possibilidade de retomar a Presidência da República e retomar sua política rentista e de arrocho salarial, tomou a iniciativa. A atuação de sua militância nas redes sociais é de estarrecer.

Os coxinhas vociferam contra os nordestinos porque deram taxas muito elevadas de voto à Presidente Dilma – 36 pontos percentuais acima da média nacional de 42%”, registra a Folha – supostamente em troca do Bolsa-Família. Ora, é um direito do povo nordestino, como cidadãos, ter uma opção política.

Nas redes, por toda a parte, ódio, ódio e ódio: aos pobres, aos negros, aos nordestinos, aos petistas ou não-petistas que votaram na continuidade do projeto de Brasil iniciado com Lula.

Diante dessa campanha obscurantista e de ódio promovida nas redes sociais, desses dois minutos de ódio, tenho apenas uma palavra: ESGOTO.

A grande culpada dessa campanha suja, promovida, até por amigos meus, nas redes sociais é a grande mídia, que relaciona o petismo como algo demoníaco; que caracteriza como ataque toda crítica ao candidato tucano e que trata as críticas à presidenta Dilma e tentativa de liquidar com o PT como verdade absoluta.

Que mal foi feito a essa gente, cujas vidas não esta pior que 12 anos atrás?

O PT fez reforma agrária e expropriou suas terras? O PT socializou os meios de produção e tomou seus bens? Estatizou o sistema financeiro, como previa o antigo plano de governo? Suas aplicações financeiras foram dificultadas ou taxadas? Foram criadas alíquotas mais pesadas em seus impostos de renda? Tornou mais difíceis as regras para remessa de lucros ao exterior? Está mais difícil viajar para Miami? Os salários dos executivos, no Brasil, foram taxados e desvalorizados?

Infelizmente, nada disso aconteceu.

Se um marciano descesse no Brasil hoje e lesse as postagens nas redes sociais e na grande mídia, concluiria que as cidades mais ricas do Brasil estão sendo invadidas por hordas de miseráveis migrantes do Nordeste; bem como que o Governo do PT inventou a corrupção e que a oposição é formada por vestais.

Não perceberia que, ao contrário, as políticas de inclusão social e desenvolvimento regional do PT estão reduzindo a migração nordestina.

FHC, ao declarar que o PT cresceu nos grotões porque tem os votos dos menos informados, patrocinou uma espécie de ressurreição da discriminação ao voto do marmiteiro, criado pelo candidato da UDN à Presidência da República em 1950, Brigadeiro Eduardo Gomes. O brigadeiro teria dito que não precisava, na disputa com o presidente Getúlio Vargas, do voto do marmiteiro. É a perfeita tradução da visão elitista do prócer do PSDB.

Não percebem os elitistas eleitores do PSDB que o voto nordestino em Dilma nada tem a ver com Bolsa Família. Parafraseando Carville: “É a economia, estúpido.”

O Banco Central divulgou, recentemente, dados que mostram que a economia nordestina cresceu 2,55% no 2.º trimestre do ano após expansão de 2,12% no 1.º trimestre. Esses dados mostram que o Nordeste é a região do país menos atingida pelo esfriamento econômico brasileiro e que foi a única região do país que conseguiu dois trimestres consecutivos de alta no crescimento.

Mesmo que fosse pelo Bolsa-família, eu apoio a redução da miséria, como ela ocorreu no governo petista. Eu apoio a redução da desigualdade brasileira.

Por outro lado, o apoio de Marina ao PSDB lança dúvidas sobre a visão secularista do partido. Marina não tem convicções firmes de que o estado laico deva ser protegido. Além disso, nega a teoria da evolução, e outros preceitos mínimos da ciência moderna, bem como crê, contra todas as evidências científicas, que a Terra só tem quatro mil anos.

Não creio que pessoas assim sejam adequadas para gerir a economia de um país, que nesse século XXI, precisa investir pesadamente em pesquisa científica.

Afirmo sem medo de errar: nunca o Brasil foi melhor do que está hoje. Tem problemas? Tem. Todo país tem problemas. Tem corrupção? Tem. Mas a Polícia Federal e o Ministério Público estão livres para atuar, sem engavetadores gerais e pressões sobre procuradores, como a sofrida por Luiz Francisco Fernandes de Souza, do Ministério Público do Distrito Federal, no Governo FHC.

Não esqueçamos que, durante o governo de FHC, quando a maioria das empresas estatais brasileiras foi privatizada, houve falcatruas: a Privataria Tucana. Todos sabemos quem foram os responsáveis. Todavia, nenhum deles passou um dia sequer, vendo o sol nascer quadrado.

O que os tucanos nos oferecem é uma rendição à hegemonia norte-americana, que foi a marca da política externa de FHC, quando Celso Lafer, chanceler brasileiro, indo a um encontro na sede da ONU em Nova Iorque, tirou seus sapatos para ser revistado, em obediência a um guarda da alfândega ianque. Às favas, sou um representante de um Estado soberano, deveria ter dito. Mas como nosso Estado não era soberano, quebrado diversas vezes por uma política econômica equivocada, ele tirou seus sapatos e arriou as calças do Brasil.

O que o tucanato propõe, nas entrelinhas de seu discurso, é a liquidação da integração sul-americana, a privatização e o Estado mínimo, o arrocho fiscal e salarial, o corte de gastos sociais e a retirada de direitos históricos trabalhistas, acabando com a rede de proteção social e previdenciária que o PT construiu.

Por esse motivo pergunto a todo mundo: sua vida está melhor hoje do que em 2002, quando a oposição estava no comando do Brasil?

Meus amigos, não há mudanças sem luta. Sem confronto na disputa política, social e cultural não haverá mudanças, não haverá eternidade na fluência.

Celso Gomes

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