terça-feira, março 25, 2014

CURTAS REFLEXÕES DE OUTONO

                        CURTAS REFLEXÕES DE OUTONO

                        No meio do ano passado, para ser mais exato em 30/07/2013, em um texto denominado “Curtas reflexões de meio de ano”, publiquei no http://celsoarrabaldes.blogspot.com.br/, uma série de reflexões sobre o que via naquele momento político. Entre essas reflexões, há duas que precisam ser corrigidas, pois de forma nenhuma se confirmaram.

1.                     A primeira diz respeito ao setor da sociedade brasileira, que estava calado: “as vivandeiras do golpe e a os filhos da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Desenha-se um golpe.” Ora, pois, pois: as marchas de sábado 22 de março de 2014 desautorizaram-me totalmente. Fiasco! A marcha era apenas de uma família em Porto Alegre. A mídia fez muito alarde, mas a montanha pariu um rato.

2.                     A segunda diz respeito ao Eduardo Campos. Escrevi à época: “Campos pode ser uma segunda via viável para o Lulismo.” Errei. Campos se tornou um caso patológico. Até ontem era governo, agora quer tomar o lugar de Aécio Neves como se fosse oposição desde o início. Pior: diz que quer inaugurar uma nova forma de fazer política no Brasil, mas faz acordo político com Inocêncio de Oliveira, Ronaldo Caiado e tem Marina Silva como vice. E quer que esqueçamos o que fez para colocar a mãe como Ministra do Tribunal de Contas da União e sua condenação administrativa no caso dos precatórios. Ou seja, é a mesma coisa que o acordo PT-PMDB.

3.                     Conjuntura mundial: a crise de 2008 não acabou. Há claros sinais de recuperação da economia estadunidense; bem como da Europa e Japão, mas, exceto pela economia japonesa, que estava estagnada há décadas, as economias européia e norte-americana estão muito distantes do que eram antes de 2008.

4.                     Da mesma forma, a euforia com o BRICS arrefeceu, principalmente, com o Brasil. Agora com a Rússia que espanou a invasão de seu quintal.

5.                     É ilusão pensar que o PIB brasileiro, a curto prazo, vai crescer a taxas superiores às atuais.

6.                     Por outro lado, discurso oposicionista não eleva taxa de PIB. Há muito pouca margem de manobra para um Estado nacional diante dos grandes conglomerados financeiros internacionais.            

7.                     Diante da crise européia, o movimento conservador, principalmente na Grã-Bretanha, partiu para cima dos direitos sociais, buscando diminuir o gasto público e, obtendo como reflexo, o aumento da diferenças entre os mais ricos e os mais pobres. Ou seja, a apropriação capitalista se aproveitou da crise para fazer o que sempre fez: acumular capital.

8.                     O mundo depois de 2008 é um mundo bem diferente. O continente europeu empobreceu e perdeu sua relevância política e econômica, e teve, exceto pela Alemanha, diminuída sua capacidade de gerar riquezas como possuía antes de 2008. Países como Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda tiveram fechadas as torneiras do financiamento.

9.                     Merkel pela força da economia conseguiu o que Hitler tentou pelas armas.

10.                   André Lara Resende se distancia do PSDB e se aproxima de Marina Silva com o seguinte discurso: o crescimento econômico esta próximo de se esgotar em face dos limites do planeta. Voltaremos a Lara Resende em outro texto.

11.                   Conciliar ambientalismo com diminuição da pobreza: esse é o desafio. É obvio que o planeta não suportará por muito tempo o nível médio de consumo dos países desenvolvidos, mas, o que fazer? É preciso incluir esse imenso contingente populacional abaixo e próximo à linha da pobreza. As opções são difíceis: diminuir o padrão de consumo do setor mais rico de forma a equalizar o consumo, ou seja, fazer um pacto de mediocridade; ou deixar tudo como esta: aos pobres, sua pobreza; aos ricos, sua riqueza.

12.                   É preciso mudanças no Estado brasileiro, que gasta o tanto quanto arrecada com sua própria operação e presta serviços públicos de péssima qualidade, e nesse tópico estou incluindo serviços de todos os entes da Federação; bem como os serviços administrativos e judiciários. Pagamos muito para manter esse Estado que nos devolve muito pouco em saúde, educação e segurança.


                        Celso Gomes


0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home