terça-feira, julho 30, 2013

Curtas reflexões de meio de ano:





1.                     Escrevi em dezembro de 2012: “A direita brasileira não esta acostumada com tantas derrotas políticas. Os udenistas voltam ao palco. O moralismo hipócrita toma conta da mídia e contamina o STF. Um setor da sociedade brasileira, que estava calado, volta a se manifestar: as vivandeiras do golpe e a os filhos da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Desenha-se um golpe. Não nos modelos antigos, de quartelada, mas do modo democrático (argh). Semelhantes ao golpe contra Lugo e Zelaia.(...).” (http://celsoarrabaldes.blogspot.com.br )

2.                     O movimento veio, mas sobrou para todo mundo. A Ralé dirigiu-o. Antes que me critiquem, busquem o conceito de Ralé em Filosofia. Havia uma direção à esquerda, pela melhoria dos serviços públicos e contra o aumento da passagem, mas se percebia dentro dele o movimento imperceptível da Ralé, que caminha perigosamente sobre o fio da navalha.

3.                     Havia indícios, mas não foram lidos. Não se arquiva uma petição contra a posse de Renan Calheiros como Presidente do Congresso, assinada por um milhão e trezentas mil pessoas, impunemente. O Parlamento brasileiro vive desconectado da realidade.

4.                     Em uma sexta feira de Junho, um dirigente do PSTU eufórico me disse: vamos derrubar o Governo, referindo-se, logicamente, ao Governo do PT. Na sexta feira seguinte, foram expulsos da Cinelândia aos gritos: “sem partidos.” Nesse momento, clamaram por uma unidade das esquerdas. Pulei fora: o movimento não era totalmente contra os partidos políticos, mas contra a tentativa oportunista de protagonismo de alguns partidos.

5.                     Escrevi em dezembro: “Dilma atucanou. Sua política econômica difere muito pouco da tucana.” (http://celsoarrabaldes.blogspot.com.br). Sua política econômica é boa para os ricos – vide os lucros estratosféricos do sistema financeiro – bem como aos mais desfavorecidos. Em outras palavras, os ricos têm a Bolsa e o BNDES; e os pobres têm a Bolsa Família. E a classe média? Paga todos os impostos e não tem educação pública, segurança, saúde pública, em suma, serviços públicos de qualidade FIFA. Depois não compreendem a insatisfação e a queda nos índices de aprovação do governo.

6.                     A direita tenta cooptar, mas a pauta ainda a assusta.

7.                     O contingente populacional que não votou em ninguém nas últimas eleições é assustador. Para esse povo, ninguém os representa. Aberta a temporada de caça ao Messias.

8.                     A oposição ao Governo Dilma é inconsistente. Aécio não emplaca, falta-lhe tudo: carisma, história, sensibilidade, traquejo. É mais um jogo de marketing político do que liderança. Eduardo Campos surge como alternativa, tanto à esquerda, quanto à direita. Vocês acham que Lula é bobo? Campos pode ser uma segunda via viável para o Lulismo. Não vejo ainda como Marina possa cooptar essa massa que foi para as ruas.

8.                     O modelo petista na economia se esgotou. Não sairemos da crise com tentativas de financiar o consumo, aumentando o endividamento da população. Essas desonerações têm fôlego curto e quebram o pacto federativo. Do jeito que as coisas caminham, Serra será o próximo Presidente da República.

9.                     A Prefeitura de Haddad acabou em seis meses. É mais um tecnocrata, assim como Dilma – ambos inventados por Lula – metido a fazer política. Faltam-lhes as mesmas coisas que Aécio: carisma, sensibilidade, história, vínculo orgânico com a classe trabalhadora. Anunciar o recuo no preço das passagens sentado no colo de Alckmin foi o fim da picada. Caminhou sozinho para o cadafalso.

10.                   Essa parte do movimento que gosta de quebrar bancos contam com minha simpatia. Confesso que sou simpático a esses mascarados que quebram agências bancárias e atacam prédios públicos. Como diria Proudhom: a propriedade é um roubo!

11.                   Há bandidos no movimento. É claro. A composição da Ralé é muito heterogênea. Ratos saem dos esgotos. Mas, em minha opinião, o ataque as bancos é de um simbolismo flagrante. Essa insistência em atacá-los conta com minha compreensão. O capital financeiro, que domina o atual estágio histórico em que vivemos, tem espoliado nosso povo, sugado o sangue do Estado brasileiro, minando todas as políticas públicas de distribuição de renda e investimentos sociais. É um câncer! Mina as energias do país e impossibilita qualquer tipo de progresso. 

12.                   O Papa Francisco veio, mas não expulsou esse vampiro que suga o sangue das nações, fazendo-as ficar de joelhos. Nações inteiras de joelhos no chão, escorchadas, exangues. O Itaú anunciou seus lucros, mais uma vez históricos, nesse mês de Julho.

13.                   A alta do tomate fez o Alexandre Tombini recuar diante da chantagem do Mercado Financeiro, no momento em que o Banco Central caminhava na direção correta.  Vamos todos às vidraças.

14.                   A Direção Nacional do PT em reunião concluiu que seria preciso fazer inflexões na política econômica e na composição dos ministérios; que era preciso rever a política de alianças efetuada pelo Governo; que a base aliada não vai romper com os limites da institucionalidade conservadora; etc. Nada disso consta no documento publicado. Ou seja, mais um recuo do PT.

15.                   Previ em dezembro de 2012 que 2013 seria um ano difícil para o Governo petista. Prevejo agora: 2014 será bem pior.

Celso Gomes.

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