quarta-feira, fevereiro 15, 2012

O HOMEM SEM AGÁ

O HOMEM SEM AGÁ


Há algum tempo atrás, para ser mais exato na edição 25 do Algo a Dizer (http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=36), Marlene Lima publicou um conto de sua lavra que havia sido premiado em um concurso literário. Faltava um livro da autora. Agora não falta mais. Marlene lançou em dezembro de 2011 o livro O Homem sem Agá, pela editora Cais Pharoux, uma coletânea de contos escritos ao longo dos últimos anos.
Sou filho de nordestinos. Meu pai veio para o Rio de Janeiro em um pau-de-arara para ganhar a vida como muitos outros retirantes. Por esse motivo, sempre me considerei meio nordestino, meio carioca. Morei em Natal quando criança, em uma das muitas idas e vindas do meu pai, que se sentia como um exilado no Sul maravilha.
Marlene fez o mesmo movimento que meu pai. De Alagoas para o Rio. Mas, assim como meu pai, Marlene nunca abandonou de vez sua terrinha querida. O pó do Nordeste se entranhou em sua pele, numa amargura de dar dó. Por esse motivo, a música, a literatura, a dança, as comidas, nunca dão conta de tirar essa nódoa, essa dor.
No entanto, não custa nada tentar.
O Homem sem Agá é isso. Uma bela tentativa de aplacar esse sentimento teimoso de exílio. O livro representa o caminho traçado pela autora até o Rio de Janeiro. Marlene, astuciosamente, vem de Alagoas para a Glória. Seu caminho de escritora nordestina que chega para ocupar um lugar há muito tempo vazio.
Por esse motivo, eu, meio carioca e meio nordestino, saúdo sua chegada à literatura brasileira, pois me senti assim lendo seus contos: um Brasil inteiro.

Celso Gomes

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