quinta-feira, setembro 09, 2010

O GOLPE DO DOSSIÊ

O GOLPE DO DOSSIÊ


Depois de apanhar por várias semanas do candidato José Serra, e da Mídia Golpista, nomeie-se: O Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Revista Veja, e outros de menor importância, finalmente, no feriado da independência, o PT reagiu aos golpes baixos da oposição e pediu à Polícia Federal que ouça Amaury Ribeiro Jr., jornalista que escreveu um livro (ainda não publicado) sobre os bastidores sujos das privatizações durante os dois governos de FHC e que trabalhava até o início deste ano no Estado de Minas, terra de Aécio Neves.

Após o contra-ataque petista o presidenciável tucano recuou e, em entrevista, disse: “Por mim, este assunto morreu aqui. Não pretendo mais tocar neste assunto (esclareça-se: o caso da quebra do sigilo fiscal de Verônica Allende, filha de Serra) deixo a decisão de prosseguir nas mãos do partido. O caso, agora, é uma questão do partido, não minha”.

Por que Serra não quer mais levar o assunto adiante?

O linguista norte-americano Noam Chomsky elaborou uma lista de 10 estratégias de manipulação através da mídia. Uma delas é perfeitamente aplicável à atuação de Serra e seus asseclas da grande imprensa: utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão.

Por meio desta estratégia de manipulação, a mídia faz uso do aspecto emocional como uma técnica para causar um curto circuito na análise racional, e pôr fim ao sentido crítico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos.

Qual é a idéia que querem nos incutir através desse clima de escândalos?

Uma outra estratégia da lista de Chomsky é perfeitamente aplicável ao caso do suposto dossiê contra Serra: a estratégia da distração.

Por meio desta, o elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da política, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética e manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar.

Ora, ora, querem nos distrair com o caso do dossiê porque a oposição não tem propostas para o Brasil.

O modelo defendido pela dupla PSDB - DEM (PFL) ruiu em 2009.

Porque Serra não fala mais em Estado mínimo, privatizações, flexibilidade das normas trabalhistas, etc.?

Porque Serra não defende em seu programa eleitoral as medidas socioeconômicas do neoliberalismo que nos foram impostas pelo governo FHC durante seus mandatos de 1994-2002?

Porque Rodrigo Maia nega que o DEM ingressou com a ADI 3314 no Supremo Tribunal Federal em face do PRO-UNI, programa do governo federal que está levando milhares de jovens carentes às universidades?

Voltemos ao dossiê e aos motivos que levaram José Serra a capitular após a adesão maciça da mídia golpista ao golpe do dossiê.

Durante todo o segundo mandato de Lula, a oposição ficou dividida entre Serra e Aécio Neves, que travavam uma disputa acirrada pela candidatura tucana.

Serra - que já possui prática no assunto, pois teria detonado a candidatura de Roseana Sarney com a fotografia daquela dinheirama no escritório de seu marido, bem como armado aquela arapuca para os petistas aloprados em 2006 - teria feito um dossiê sobre Aécio Neves e enviado recados por meio de jornalistas sobre os hábitos pouco ortodoxos do tucano mineiro. Aécio se indignou e reagiu pedindo ao jornal O Estado de Minas para investigar Serra e municiá-lo na disputa.

O jornal mineiro passou a tarefa para Amaury Ribeiro Jr. e outros jornalistas.

No início deste ano, Serra derrotou Aécio Neves internamente, por razões que a própria Razão desconhece, e ambos selaram uma trégua.

Logo depois, Serra saiu do governo de São Paulo e se candidatou à sucessão de Lula.

Aécio derrotado e magoado pela forma como foi detonado nos bastidores, candidatou-se ao Senado federal e iniciou sua campanha descolada da campanha presidencial.

As denúncias de Amaury Ribeiro Jr. não são publicadas, e ele deixa o jornal O Estado de Minas.

Com bastante material contra Serra, conseguido sabe-se lá como, Amaury Ribeiro Jr. se aproxima da campanha de Dilma, levado pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, que é próximo de Aécio Neves, trazendo com ele o material sobre Serra e os tucanos.

O material não foi aceito pelo PT.

Luiz Lanzetta é demitido por Dilma do posto de coordenador de imprensa da campanha oficial.

Fernando Pimentel é afastado da coordenação da campanha.

Amaury guardou tudo e anunciou aos amigos que escreveria um livro sobre as privatizações tucanas e as sociedades da família Serra com certos empresários.

Pergunta: o vingativo Aécio Neves teria levado Amaury para a campanha do PT através de Fernando Pimentel?

Em junho de 2010 surgem as primeiras notícias sobre a quebra de sigilo de Eduardo Jorge e da filha de Serra, mas sem todos os detalhes sobre o início da investigação.

No mesmo mês, Leandro Fortes publicou na Carta Capital reportagem reveladora, com todos os detalhes sobre o caso. Entretanto, as notícias que surgem vinculam o PT à fabricação do dossiê e a mídia golpista passa a esconder que este teria sido encomendada por Aécio Neves na disputa contra Serra no ano anterior.

Em agosto de 2010, todas as pesquisas de opinião apontam Dilma como líder e ganhando as eleições no primeiro turno.

Pior: Dilma cresce sobre o eleitorado que não havia se decidido no reduto tucano e Serra cai dentro de seu próprio eleitorado tradicional.

Desesperado, Serra resolve usar o caso, mas sem revelar a vertente mineira.

A oposição ingressa com ação no TSE pedindo a impugnação da candidatura Dilma, tentando dar um golpe branco na população. Como se diz popularmente: ganhar no tapetão.

O TSE arquiva o pedido.

O Partido da mídia golpista compra a versão de Serra e passa a dar amplo destaque para o vazamento de informações da Receita Federal, mas sem contar como começou a investigação, criando um clima de escândalos propício para o estelionato eleitoral que se avizinha: levar Serra para o segundo turno a qualquer custo.

Golpe sujo: a mídia sabendo a origem da quebra do sigilo e da luta tucana dos dossiês segue sangrando a candidata Dilma com o propósito de levar a oposição ao segundo turno.

Onde estão as propostas políticas da oposição?

O programa político-eleitoral da oposição se tornou o samba de uma nota só: quebra de sigilo.

Vão governar o Brasil com esse mote?

Estelionato eleitoral: escondem da população que são contra o PRO-UNI, a favor do Estado mínimo, de privatizações de setores estratégicos para o desenvolvimento do país, a favor da flexibilização das normas trabalhistas, e de várias medidas econômicas do neoliberalismo tardio que nos foram impostas pelo governo FHC.

Feriado de 7 de setembro, o PT decide reagir jogando a bomba de volta para o colo do tucano Aécio Neves.

Lula vai para a TV e acusa a oposição de golpe e de jogo sujo e o partido pede que a Polícia Federal ouça Amaury Ribeiro Jr.

O Estado de Minas silencia sobre o escândalo da Receita.

Merval Pereira de O Globo passa a ligar Zé Dirceu à Dilma e a quebra de sigilo vira assunto subjacente à criação de um serviço de informação petista. Ps. O articulista deveria escrever um romance, tal sua capacidade criativa.

A mídia golpista segue a falar do escândalo, mas seu candidato silencia.

E se o jornalista Amaury Ribeiro Jr. contar a história completa?

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

O estelionato está em curso. Nosso líder faz da Presidência um palanque sem ética, inaugura obras já inauguradas, trabalha "depois do expediente" como cabo eleitoral do poste que intitulou a "mãe dos brasileiros". Interpretamos a realidade do país de maneira diversa. Eu não pretendo convence-lo de nada no que diz respeito a política. Gostaria que a reciproca fosse verdadeira, me poupando pelos próximos meses de e-mails que versem sobre política. É um trato? Um grande abraço,
Paulo

4:21 PM  
Anonymous Anônimo said...

Fala aí Celso, beleza?Tudo bem c/ vc?Cara, vejo q vc está meio indignado, ou melhor dizendo, muito puto c/ a oposição, certo?Me mandar uma enxurrada de e-mails assim, só muito irado....Meu caro amigo, vivemos numa outra esfera e, como vc sabe, a galera têm hoje uma outra visão da política....A molecada está bem sintonizada e ciente do que quer, fica tranqüilo....Eu nunca conversei nada sobre política com o meu filho e, na sua primeira eleição, ele me disse q vai votar na Dilma.Como disse o Lula: Eles estão desesperados e a saída é o jogo baixo. "Porque se chamava homemTambém se chamavam sonhosE sonhos não envelhecemEm meio a tantos gaseslacrimogêniosFicam calmos, calmos, calmos" Um abraço!!!

2:18 PM  

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