terça-feira, setembro 21, 2010

A mídia, o grande partido político

A mídia, o grande partido político


Lula, sob ataque cerrado da imprensa serrista, resolve partir para a briga e acusa a mídia de partidarismo sem legitimidade.

Lula está certo.

A atuação política da mídia nestas eleições é ilegal, inconstitucional e ilegítima. A imprensa não é partido político.

No Brasil, a imprensa tem atuado muito mais no campo da luta política do que da informação. Atua muito mais como partido político da burguesia do que como meio de informação.

Nestas eleições a mídia perdeu a compostura. Sem qualquer freio, os meios de comunicação de massa estão pautando as discussões políticas, criando fatos políticos sucessivos para desestabilizar o governo de esquerda, legitimamente eleito e aprovado pela população, e evitar a eleição de sua sucessora que lidera amplamente as pesquisas de opinião.

Agora, sob ataque de Lula, não toleram qualquer freio, qualquer censura, qualquer restrição ao seu poder de mando e chamam o feito à ordem argumentando que há um risco para a democracia brasileira.

Qual nada! Não há risco nenhum.

Ao contrário, a atuação desastrada desta mídia remonta ao tempo dos militares.

Vejamos.

A Rede Globo, foi criada mediante um acordo do empresário Roberto Marinho com a ditadura militar em 1965, e durante vinte anos foi a voz do regime político de exceção que se instalara.

Posteriormente, a Globo interferiu ativamente na vida política brasileira sem nenhuma legitimidade para tal. Entre outras, cito: na campanha das diretas; o caso Proconsult quando estava roubando a primeira eleição do Brizola; na edição do debate entre os candidatos à presidência do Brasil, Lula e Collor, em 1989; na crise do mensalão, quando passou a reverberar em manchetes quaisquer denúncias, mesmo sem provas, contra o governo Lula e o PT, feitas por qualquer um, fazendo uma campanha sistemática de desmoralização da esquerda brasileira.

Quando Jorge Bornhausen falou em extinguir a raça dos petistas, a Globo não o acusou de nazista, como agora fez com o troco de Lula. Detalhe: Jorge Bornhausen falou fora do contexto eleitoral, Lula dentro da campanha eleitoral e da luta política que se acirrou muito nos últimos meses pela invasão da mídia em terreno impróprio.

Há muito desisti de assistir o noticiário televisivo que se tornou o principal meio de informação de uma população sem acesso a educação, manipulada ao extremo.

Recentemente, no caso da quebra do sigilo fiscal da filha de Serra, a Globo silenciou sobre a prisão do sargento PM que espionava os adversários políticos da Governadora Ieda Crusius do PSDB. Quebra de sigilo já comprovada, com a prisão dos responsáveis.

Enquanto isso, o grupo Globo fazia ilações sobre a participação de petistas em um episódio mais próximo da polícia do que da política.

Exemplos de antijornalismo durante o Governo Lula não faltam: mensalão, apagão aéreo, febre amarela, tentativa de envolver o PT com Daniel Dantas que é ligado umbilicalmente ao PSDB, etc.

Abundam exemplos diários de partidarismo em favor de Serra: manchete de O Globo há algumas semanas: Responsável pela quebra de sigilo tucano é sindicalista do ABC.

É mentira!

Até o momento o que se extraiu do episódio está mais próximo das páginas policiais do que política. A propósito, a servidora que acessou os dados em depoimento à Polícia Federal afirmou que fazia os acessos mediante o pagamento de propina e, pasmem, não era sindicalista.

Houve desmentido do jornal? Houve um “Erramos”? Nada. Ficou o dito por não dito e segue em frente.

A mensagem subliminar sindicalista do ABC diz alguma coisa?

Nem Goebbels faria melhor.

Por outro lado, esconde da população o envolvimento tucano com a privataria das estatais; o mensalão mineiro que envolvia o presidente do PSDB Eduardo Azeredo; as falcatruas de Ieda Crusius governadora do Rio Grande do Sul filiada ao PSDB; os motivos pelos quais se investiga Eduardo Jorge, secretário–geral do PSDB; a quebra de sigilo perpetrada por Verônica Serra em 2001, quando foi quebrado o sigilo de 60 milhões de pessoas; que Arruda, governador cassado e preso do Distrito Federal, filiado ao DEM, seria o Vice de Serra nestas eleições; etc.

A denúncia de Lula é bastante pertinente, pois essa mídia golpista está pautando as eleições, criando um clima de escândalos para levar seu candidato impopular para o segundo turno, quando espera dar um tiro com bala de prata em Dilma.

Ora, Dilma não é vampira. Tampouco essa mídia possui todo esse poder.

O jornalismo impresso se destina aos cidadãos capazes de ler um jornal e dele extrair algum sentido, os tais formadores de opinião. No entanto, uma nova classe média está surgindo no país e esta nova classe desconfia dos tais formadores de opinião, por seu apoio histórico às bandeiras contrárias aos interesses do povo trabalhador, bem como pela adesão maciça desta mídia à ideologia neoliberal que governou o país durante 10 anos, nos governos Itamar Franco e FHC.

Enquanto os EUA despejavam toneladas de bombas sobre o povo vietnamita, Hồ Chí Minh disse: contruiremos um Vietnam mil vezes mais bonito.

Aqui, sob esse ataque massivo desta mídia conservadora, afirmo: construiremos um Brasil mil vezes mais bonito quando enterrarmos de vez essa mídia golpista e antidemocrática que sempre esteve do lado oposto das grandes lutas do povo brasileiro e que não pratica a liberdade de imprensa ou de expressão, colocando-se na luta política, atuando como partido político dos poderosos sem legitimidade.



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