quarta-feira, dezembro 30, 2009

ALGO A DIZER



Na rede a edição de DEZEMBRO do jornal de Cultura e Política Algo a Dizer, com o seguinte conteúdo:



1) Entrevista com João Pedro Stédile na qual expõe as importantes – e necessárias – idéias que o MST tem para o campo no Brasil: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=402;



2) Entrevista com o sempre lúcido – aos 92 anos! – historiador inglês Eric Hobsbawn: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=401;



3) A coluna “Brasil e mundo”, de Milton Coelho da Graça: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=395;



4) A ativista antiglobalização canadense Naomi Klein comenta a ação da polícia na Conferencia do Clima de Copenhague: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=398;



5) ) Áurea Alves comenta o álbum de João Callado, lançado pela Biscoito Fino: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=403;



6) Douglas Naegele explica a verdadeira origem do Natal: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=392;



7) Os votos de Ano Novo de Maria Balé: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=394;



8) O humor fino de Jorge Nagao: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=397;



9) A crônica de Feliz Natal de Sergio Antunes: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=399;



10) Marcelo Mirisola fala da tragédia/milagre que aconteceu com o dramaturgo Mario Bartolotto: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=396;



11) A poesia de Zeh Gustavo: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=400;



12) “O segredo das xícaras”, por Helen Ortiz: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=393;



13) “Uma leitura marxista do direito dos animais”, ensaio de Bruno Müller: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=391.



Boa leitura e um forte abraço



FELIZ ANO NOVO




O Chefe Seattle e o valor das tradições



No ano de 1854, o presidente dos Estados Unidos fez a uma tribo do norte a

proposta de comprar suas terras, oferecendo em contrapartida a concessão de

uma outra "reserva". O texto da resposta do Chefe Seattle tem sido

considerado, através dos tempos, um dos mais belos pronunciamentos a

respeito da importância das tradições. Já li em algum lugar que tal resposta

foi falsificada por um jornalista, mas isso não tira o valor do que foi

dito:

"Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Esta idéia

parece-nos estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água,

como é possível vendê-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo.

Cada ramo, cada punhad o de areia do deserto, cada sombra de árvore, cada uma

dessas coisas é sagrada na memória do meu povo.

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar

entre as estrelas. Nosso mortos jamais esquecem estas montanhas e vales,

pois assim é o rosto de nossa Mãe. Somos parte da terra e ela faz parte de

nós. As flores são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia são

nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do

corpo do potro e o homem - todos pertencem à mesma família. Portanto, quando

o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra,

pede muito de nós.

O Grande Chefe diz que irá nos colocar em um lugar onde poderemos viver

felizes. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos

considerar a sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil,

porque essa água brilhante que corre nos riachos não é apenas água, mas o

sangue de nossos antepassados. Se lhe vendermos a terra, eles podem esquecer

que o murmúrio das águas é a voz dos nossos ancestrais e as lembranças de

tudo o que ocorreu enquanto vivemos aqui.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de

terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um

forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A

terra não é sua irmã, mas uma mulher atraente, e quando ele a conquista,

prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não

se incomoda. Retira da terra aquilo que seria de seus filhos e não se

importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos.

Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas ou enfeites

coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nos sos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidade

fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o índio é um selvagem e

não compreenda. Não há lugar quieto na cidade do homem branco. Nenhum lugar

onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas

de um inseto. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da

vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos

sapos ao redor de uma lagoa, à noite? O que é o homem sem os animais? Se

todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de

espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há

uma ligação em tudo.

Tudo o que acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra. Se os homens

cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a terra não

pertence ao homem, o homem pertence à terra. O homem não tramou o tecido da

vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido fará a

si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala como ele, de amigo para

amigo, não pode fugir desta realidade. De uma coisa estamos certos: nosso

Deus é o mesmo Deus dele. A terra Lhe é preciosa, e feri-la é desprezar o

Criador. É o final da vida e o início da sobrevivência."