quinta-feira, maio 21, 2009

ALGO A DIZER

Já está no ar a edição de MAIO do jornal de Cultura e Política Algo a Dizer (www.algoadizer.com.br), com as seguintes matérias:
1) Homenagem a Augusto Boal: resgatamos uma entrevista - publicada no nº 17 do Algo a Dizer, de 1993 - do então recém-eleito vereador pelo PT-RJ: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=284;
2) Em entrevista a The Real News Network, Noam Chomsky defendendo a nacionalização de empresas como forma de ampliar a democracia em tempos de crise: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=285;
3) Rodrigo Domit mostra a "preguiça mental e cegueira ideológica de Mailson da Nóbrega: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=279;
4) Milton Coelho da Graça comenta, entre outros fatos, o imbroglio Gilmar x Barbosa: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=277;
5) Os 100 anos de Fulvio Abramo lembrados em artigos de José Castilho Marques Neto (com Vito Letizia) e Áurea Alves: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=286;
6) Tinoco, da dupla sertaneja que fazia com seu irmão Tonico, é lembrado por Jorge Nagao: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=272;
7) A crise dos transportes públicos nas cidades é do que fala o artigo de Leo Mesentier: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=273;
8) Celso Lungaretti expõe o falso moralismo e os interesses por trás do "denuncismo" da grande imprensa: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=275;
9) Em artigo denso, Douglas Naegele fala do drama da dependência química: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=271;
10) A utilidade do conselho, por Luciano Cazz: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=274;
11) Maissa Bakri e Talita Zupo, onívoras: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=281;
12) A melancolia, na visão de Maria Balé: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=276;
13) A crônica de Marcelo Mirisola: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=278;
14) "As palavras", crônica de Sergio Antunes: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=280;
15) A poesia de Cyana Leahy-Dios: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=270;
16) Whisner Franga e seu conto "i": http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=283;
17) "Complô", conto de Vivian Pizzinga: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=282;
18) A situação da mulher na sociedade patriarcal no ensaio de Marcelo Barbosa sobre peças de Strindberg e Nelson Rodrigues: http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=269.
Todo dia 20 do mês a página do Algo a Dizer é atualizada.
Boa leitura e um forte abraço

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quarta-feira, maio 20, 2009

O LEITE DERRAMADO

O LEITE DERRAMADO


Chico Buarque lançou um novo livro pela Cia das Letras, o Leite derramado. Li em alguns cadernos literários que seria seu quarto livro. No entanto, lembro-me que o autor já havia lançado alguns livros nos anos sessenta e setenta, que caíram no esquecimento. Comprei o livro em São Pedro da Serra e aproveitei o friozinho de maio para lê-lo. Dei cabo da tarefa em pouco mais de duas horas. O romance tem problemas, mas antes vou expor uma análise do Chico como autor, considerando apenas esta segunda fase, tendo em vista que o próprio escritor não se refere aos seus livros anteriores e, tampouco, corrige a crítica especializada quando os esquece.

Estorvo
Estorvo, primeiro desta nova leva, tem um título bastante sugestivo e, confesso que tive muita dificuldade para terminá-lo. O romance é um dos mais chatos que li na vida e olha que não leio pouco. O personagem principal é incapaz de sentir os fatos da vida, estando interessado apenas em observá-los sem envolvimento emocional, bem como é incapaz de reagir com inteligência mediana às situações as quais é submetido pelo narrador do romance. O fato de o livro estar escrito em primeira pessoa do singular torna mais difícil a leitura, pois temos que acompanhar as peripécias mentais de um narrador esquizóide, sem rumo, sem emoção e inteligência. Virgínia Woolf em Mrs Dalloway e Willian Faulkner em Som e a Fúria conseguiram nos ingressar com perfeição nesse mundo sombrio, narrando em primeira pessoa o universo mental de seus desajustados. Esse não é o caso de Estorvo, pois o autor não consegue retratar esse mundo de forma a tornar a história coerente. Volto a citar o grande Graciliano Ramos, que em Angústia fez uma escolha técnica buscando passar ao leitor o mundo fechado e sombrio em que vive o personagem, que deseja ardentemente sair dessas sombras.
Alguns amigos meus conseguiram ver no livro uma crítica ao Capitalismo, que o fato de o personagem não possuir nome sugere a perda da personalidade em um mundo sufocante e obscuro, no qual o personagem, envolto por sua solidão, não consegue encontrar saída, vivendo em uma situação de completo desconforto. Entretanto, para mim, que queria apenas um pouco de prazer com a leitura, o livro é uma decepção completa e se Rui Guerra o filmou, vejam o filme e se poupem de duas horas de desprazer com a leitura.

Benjamim
O segundo romance, Benjamim, é tão chato quanto o primeiro, guardando muitas semelhanças, tais como: novamente estamos diante de um personagem filmado a todo instante pelo narrador onisciente, com a modificação do foco narrativo, pois em Benjamim é em terceira pessoa a narração, o que torna menos penosa a leitura. Neste segundo romance, a perspectiva visual domina amplamente, basta verificar a quantidade de vezes que o verbo ver e seus sinônimos surgem no texto. O narrador filma os personagens revelando suas percepções e pensamentos, porém o resquício de humanidade fica por aí, pois o narrador elimina a vivência emocional. A atmosfera é desprovida de racionalidade, pois vazia de emoções.
Outro fato a registrar neste segundo romance é o nome dos personagens, que assim como os próprios nomeados são esquisitos: Ariela Masé, Aliandro Esgarate, Zambraia, e outros. Se há alguma intenção por trás da escolha dos nomes, para mim passou despercebida. Assim como na vida real, um nome pode revelar alguns detalhes sobre o nomeado, tais como sua classe social, origem geográfica, nacionalidade, e outros. A oportunidade parece que foi perdida pelo autor, pois os nomes escolhidos nada significaram para esse leitor que vos escreve.

Budapeste
Em Budapeste, o autor segue o caminho de seus personagens esquisitos, tornando-o completamente inverossímil. Pensei em dar ao autor o benefício da dúvida, pois minha análise talvez esteja pautada pelo seu trabalho anterior como cantor e compositor, mas decidi não ter compaixão, pois há inequivocamente um forte trabalho de mídia tentando empurrar vinagre, ao invés de vinho, para dentro da goela do pequeno universo de leitores brasileiros. Além disso, não consegui até o presente momento descobrir qual é o foco de Chico Buarque como escritor. No compositor podemos reconhecer o homem envolvido com as causas democráticas, sociais, humanistas, mas o escritor ainda está devendo. O personagem principal de Budapeste possui uma tendência à solidão e um autismo inequívoco, má adaptado à realidade, podemos afirmar: é esquizóide. Pronto, Chico Buarque criou mais um personagem pouco convincente.

Nos primeiros livros, vi como ponto positivo o fato de o escritor evitar os lugares comuns e clichês, e devo reconhecer ainda que a escrita, propriamente dita, busca ser original. Entretanto, minha reação aos romances foi de tédio completo e irritação. Sinceramente, a princípio, não entendi o motivo de tanto estardalhaço nos cadernos literários em torno desses romances tão menores, até me lembrar que o livro não é apenas um bem cultural, sendo muitas vezes e, exclusivamente, um produto econômico. Nesse enfoque, não se iludam, o meio editorial exige que, além de o escritor ser bom em seu ofício, ele deve ainda possuir boa capacidade para vender seu produto. E admiradores não faltam a Chico Buarque, cantor e compositor consagrado.
Não tenho a intenção de denunciar essa mercantilização da literatura, não tenho vocação quixotesca, mas vejam a saída de Rubem Fonseca da Cia. das Letras, qual foi o motivo? Nunca saberemos, mas é provável que seja a queda nas vendas dos livros do autor, o que faria a editora dar um tratamento, do ponto de vista do escritor, inadequado à sua obra, ou seja, pode ter ocorrido um conflito entre a defesa dos valores literários e a necessidade de retorno financeiro do investimento. Veja-se o fato de a Flip ser dominada pelas grandes editoras, de os cadernos literários serem completamente recheados de resenhas de livros pagas pelas grandes editoras, e vai por aí.

O leite derramado
Com essas premissas, passei a leitura do Leite Derramado. Aliás, devo confessar que somente o fiz por dever para com meus companheiros de Algo a Dizer, pois estava bastante desconfiado que teria que enfrentar uma batalha inglória com a leitura, estragando meu fim de semana na serra. No entanto, devo confessar que o livro não segue o rumo dos outros, ou seja, não é chato e os personagens, se não chegam a ter um primor de coerência, também não chegam a ser um Benjamim. Até os nomes melhoraram, apesar de algumas escorregadelas.
Segundo a orelha do livro o novo livro de Chico é um romance de decadência. Os escritores brasileiros, com exceções, têm escrito livros com temas semelhantes, veja-se o exemplo de A Tarde de sua Ausência, de Carlos Heitor Cony, romance lançado há alguns anos, outra tentativa, do meu ponto de vista frustrada, de escrever um romance de decadência na literatura brasileira. Ambos tentaram escrever no estilo acima exposto com pouco mais de 150 páginas. É muito pretensão. A editora, nos caso deste último livro, criou artifícios editoriais para aumentar o número de páginas, que não passam despercebidos a um leitor atento. Entretanto, esses truques não atendem, pois um romance de decadência, que possui como objetivo mostrar a decadência de uma família, geralmente caracterizado pelo apogeu político, social, econômico desta, deve, necessariamente, possuir um grande número de personagens, sendo necessário descrevê-los bem, bem como traçar detalhadamente o caminho da ruína, para que o leitor vá aos poucos se familiarizando com os personagens e se envolvendo emocionalmente com angústia que uma decadência traz. A técnica básica é ascensão e queda.
Vou dar uma dica para meus leitores que querem ler um romance de decadência: Os Buddembrooks de Thomas Mann, no qual é narrada a ascensão e decadência de uma família burguesa através de quatro gerações. Conforme bem exposto na contracapa de meu exemplar: “Mais do que a crônica em torno da vida e costumes dos seus personagens, este romance é a metáfora exemplar das contradições e dilemas de uma classe, cujo poder e domínio se constrói sobre a fraude, a hipocrisia e a alienação.”
Chico Buarque não seguiu a técnica básica, o que pode ser louvável ou não. Lembro-me sempre de um ensinamento de um professor: “James Joyce primeiro provou que sabia escrever publicando Dublinenses, depois desconstruiu a literatura do século vinte.” O narrador de O Leite Derramado, decrépito e decadente em seu leito de morte, rememora sua vida partindo de sua destruição para narrar o apogeu e queda. O romance é um triste espetáculo humano. No entanto, enquanto que no romance de decadência há a inevitabilidade da tragédia, no romance de Chico a tragédia já ocorreu.
O personagem narrador vem de família culta, mas seu linguajar não reflete isso: “gororoba”, “encasquetei que precisava enrabar Balbino”, etc. É chulo demais para um homem rico e filho de senador, descendente de “figurão do império”. Além de certa coloquialidade incômoda, como por exemplo na página seis: “me compraram” ao iniciar a oração.
Mas o problema maior é o fato de o texto ser muito curto. Não há tempo suficiente para desenvolvimento dos personagens, de suas naturezas interiores. Falta o efeito emocional que se sente ao ler um romance como o de Mann. Com a escolha do estilo, há muita rapidez nas fases de decadência, que se encontram misturadas no texto. O leitor é jogado para o futuro ou passado, como por exemplo na parte em que é narrado o assassinato do senador, no qual não há um quadro completo da situação.
Como leitor comum que sou, não possuindo formação em Letras, tampouco a pretensão de ser crítico literário, confesso que saí decepcionado do livro. Quando leio um romance, busco vivenciar as histórias, envolver-me emocionalmente com os personagens. Lembro-me de vários livros que me fizeram parar no meio da página, pois os olhos marejados não permitiam sequer a leitura de mais uma linha; ou de cenas que fizeram meu coração dar um salto; ou ainda da sensação de espanto diante da beleza de uma cena como a da “madeleine” no chá. Lembro-me ainda que certo dia, lendo As Ilhas da Corrente, de Hemingway, fiquei pasmo e um nó se formou em meu peito quando vislumbrei o que o autor faria com o personagem ao qual eu me afeiçoara. Saí do quarto e fui para sala, fechei o livro e senti a dor da perda. Após retornar e ler as últimas páginas, senti uma enorme necessidade de beber alguma coisa para domar a dor que me sufocava. Compreendi naquele dia que As Ilhas da Corrente é o bilhete de um suicida e, finalmente, consegui entender a morte do autor com a espingarda de caça.
Está faltando na literatura brasileira a ocorrência de livros que nos comovam e nos levem a pensar na literatura como libertação, como busca de sentido para o nosso drama diante da morte que nos avizinha, pois os homens reais, e talvez os ficcionais, também anseiam pela luz do sol.

Celso Gomes

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terça-feira, maio 05, 2009

FILOSOFIA

Olá!O Grupo dos 4 (José Antônio de Carvalho e Silva, Paulo Sérgio de Carvalho e Silva, José Glauco Ribeiro Tostes e Emy Ribeiro Martins Neto) tem o prazer de informar a sua atual programação.Espero que você goste e compareça.Serás bem vindo.Um abraço,O GRUPO DOS 4 (Emy).

Programação:Local - a aprazível PONTO ORG.Ponto Org Espaço Cultural TemáticoRua: Ministro Otávio Kelly, 231, Jardim Icaraí.CEP: 24220-300, Niterói- RJ , Brasil.Telefone : 021-2611.6859E-mail : faleconosco@pontoorg.com.br OU contato@pontoorg.com.brPara você agendar :- Emy Ribeiro Martins Neto.Professor.Especialista em História da Filosofia.Curso: Panorama Filosófico.
1ª quarta-feira (06/05/2009) - Filosofia e Conhecimento.Sinopse: a Filosofia como uma das quatro formas básicas de Conhecimento. O porque de sua Interdisciplinaridade.
13/05/2009 - Filosofia e Alma.Sinopse: os conceitos de alma; os conceitos de subjetividade; o olhar da Filosofia para a Psicologia e a Psicanálise.
20/05/2009 - Filosofia e Arte.Sinopse: a relação da Filosofia com a Arte; os conceitos de Estética.
27/05/2009 - Filosofia e Ciência.Sinopse: a relação da Filosofia com a Ciência; os conceitos de Epistemologia; o Pensamento Complexo de Edgard Morin e Ilya Prigogine.Obs.: todos os dias terão um recorte histórico e contextualização e o objetivo deste curso é ser uma introdução às outras três palestras do Grupo dos 4.

Paulo de Carvalho.Ator; Sonoplasta; Radialista; Produtor Cultural; Diagramador; Poeta.Autor do livro CANTABILE.Curso: "Ao solo da Palavra: o Gênesis em discurso na revelada Poesia".
1ª quarta-feira (03/06/2009) - intro ducto. Sinopse: apresentação e esclarecimentos e expectativas.
10/06/2009 - O solo da Palavra.Sinopse: um debate, dois discursos: Discurso da Revelação X Discurso da Mitologia.
17/06/2009 - de Gênesis à Poesia.Sinopse: o aprofundamento das questões, perspectivas, contextualização, Status Quaestiones.
24/06/2009 - do Solo da Palavra a Palavra em Poesia.Sinopse: Analogia, Metáfora, Transcendência.

José Antonio de Carvalho e Silva.Psicólogo e Especialista Clínico. Químico Industrial e Mestre em Engenharia Industrial. Ex-executivo de grandes empresas, é atual Conselheiro do Conselho Regional de Química, 3ª. Região. Autor de livros sobre esses assuntos. Palestras: A relação entre Trabalho, Machismo, Papel da Mulher e Ecologia.
08/07/2009 - Estresse no trabalho: machismo e papel da mulher.Sinopse: A palestra discute a questão do estresse no trabalho na atual fase do capitalismo - era da informação - sua vinculação a uma concepção machista de vida e o papel que a mulher, em seu crescente afluxo ao mundo dos negócios, vem exercendo nesse contexto. A abrangência dos temas abordados - machismo, o capitalismo e suas vicissitudes, a globalização, a nova ordem do trabalho e o estresse dela advindo, o feminismo e o dilema da mulher executiva face à sua multiplicidade de papeis - levou o autor a dialogar com saberes de diversas áreas, mormente psicologia, sociologia, economia, administração empresarial e a clínica médica.As conclusões questionam algumas certezas dessa nova ordem, como os indubitáveis avanços no bem estar do trabalhador, e da sociedade em geral, na presente era da informação, e a feminização do ambiente do trabalho trazida pela maior participação da mulher.
15/07/2009 - A Catástrofe Ecológica da Modernidade segundo a visão de Martin Heidegger.Sinopse: O palestrante terá como base as idéias do filósofo alemão para debater o questionamento do pensador sobre a maneira como a natureza e o homem são recursos exploráveis na modernidade, tendo como objetivo ajudar na reversão das péssimas expectativas traçadas por especialistas e organizações científicas. José Antonio de Carvalho e Silva destaca que, à beira de uma catástrofe ecológica que coloca em risco a existência humana na Terra, é muito comum, nos atuais dias, discussões acerca das conseqüências das primeiras intervenções do homem nas condições da superfície do planeta. Porém, a aceleração de atitudes destrutivas só ficou patente após a Revolução Indusrial, iniciada ao final do século XVIII, mas cujos efeitos estão sendo ineludivelmente sentidos agora. Para ele, embora campanhas da comunidade científica tenham tentado alertar comunidades e nações, colocando o assunto em pauta em protocolos e agendas, os esforços para lidar com os desastres ecológicos têm sido de cunho tecnológico. Segundo ele, isso ocorre pelo fato do homem acreditar que sua única fonte de soluções é o cientificismo. A doença do homem moderno, segundo José Antonio, pode estar relacionada às práticas, discursos e instituições da modernidade industrial. "As inovações tecnológicas que surgem cada vez mais, modificam o modo de ser do homem e contribuem muitas vezes para a destruição ambiental e também para sua patologia. Neste contexto, o filósofo alemão Martin Heidegger reflete de modo crítico e nos auxilia a fazer o mesmo", diz ele.

José Glauco Ribeiro Tostes.Doutor em Quimica/UNICAMPProfessor da UENF/CamposProfessor Colaborador da pós-graduaçãoem ciência ambiental da UFFPALESTRAS.
22/07/2009 - Um esboço da história do séc. XX: do conflito capitalismo x socialismo real à questão ambiental planetária.Sinopse: Vamos nos basear na proposta de Hobsbawm de considerar o século XX iniciando em 1914 e terminando em 1991 e passando por três sucessivas "eras": nas duas primeiras (de 14 a 73) destaque para o conflito entre capitalismo (locomotiva planetária) e socialismo real; na última era (73 a 91), e daí até a presente década, destaquepara uma crise do capitalismo, iniciada nos anos 70, de proporções planetárias e de natureza crescentemente socioambiental.
29/07/2009 - Filosofia, revolução e enamoramento.Sinopse: O conceito central dessa palestra é o "estado nascente" de Max Weber, alargado pelo sociólogo Francesco Alberoni. Dentre as modalidades de experiência do estado nascente, destacam-se: 1) o enamoramento; 2) movimentos religiosos como o Pentecostes cristão e 3) as revoluções laicas contemporâneas (francesa, soviética etc). A partir do enamoramento vamos então apresentar de maneira didática: a) alguns conceitos "difíceis" da filosofia grega (Platão e Aristóteles) e b) algumas características comuns daquelas revoluções contemporâneas.Obs.: bibliografia básica das palestras: 1º - Hobsbawm, Eric; A Era dos Extremos; Cia das Letras. 2º - Capra, Fritjof; Ponto de Mutação; Cultrix. 3º - Alberoni, Francesco; Enamoramento e Amor; Rocco. - As mesas-redondas:
1ª - 05/06/2009 - Mesa Redonda com os quatro membros do GRUPO DOS 4 : "Ponto de Mutação" de Fritjof Capra: uma crítica interdisciplinar à modernidade ocidental em seu viés antiecológico. Sinopse: a partir de seu projeto "ecológico" de mundo Capra (texto "Ponto de Mutação" original de 1982 e filme correspondente de 1990) faz uma crítica interdisciplinar ao projeto europeu-cartesiano (e profundamente antiecológico) de mundo, culminando no séc. XX com a hegemonia planetária da locomotiva capitalista. Os quatro palestrantes vão explorar diferentes aspectos abertos pelo caráter interdisciplinar daquela crítica de Capra.

Obs.: Lembrando que haverá uma projeção do filme na Ponto Org dia 30/05/2009.

2ª - 01/07/2009 - Mesa Redonda com os quatro membros do GRUPO DOS 4 e talvez convidados: ainda não devidamente preparada. EM BREVE INFORMAREMOS. Para maiores informações entre em contato com KÁTIA ALVES na PONTO ORG.Vide informações acima.Grato pela sua leitura, esperamos você lá.Um abraço!!!!!!!!
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O ESPETÁCULO DA GRIPE

O ESPETÁCULO DA GRIPE
por Luiz Carlos Azenha

Lá vamos nós, de novo, embarcar na montanha russa da mídia. Agora é a vez de você, caro telespectador, curtir todas as emoções da gripe seja-lá-como-decidiram-batizá-la.

Uma amiga, no México, me liga: e aí? Fique tranquila. Você não vai pegar gripe. Como assim? Respondo: quantos casos OFICIAIS existem no México? Algumas centenas? Ora, se a Cidade do México tem 22 milhões de habitantes a chance de você pegar a gripe e morrer é tão grande quanto a de acertar na Mega Sena. Oficialmente, ao que eu sei, são menos de 10 mortes no México, que é o epicentro da "epidemia". Além disso, as chances de você se recuperar da gripe são grandes. É só comparar a relação casos confirmados/mortes no México ou fora dele.

Quantas mortes a malária causa anualmente? Um milhão. Isso mesmo: um milhão de pessoas morrem de malária, doença de pobre, todo ano. É por isso que minha amiga, ao circular na periferia da Cidade do México, descobriu que ninguém usa a máscara. O mexicano comum sabe que é mais provável que morra "atirado" ou atropelado do que de gripe.

Nos próximos dias, teremos todas as manchetes óbvias sobre os bebês, os anões e as mulheres grávidas que pereceram diante da "nova" enfermidade Meu coração ficará com as vítimas e suas famílias. Nunca com os repórteres que vão fingir preocupação diante de hospitais e centros de pesquisa. Eles estarão a serviço do "espetáculo da gripe", assim como estiveram, não faz muito tempo, a serviço do sacrifício ritual da adolescente Eloá.

"Mas, Azenha, você não acredita na TV?". Costumo dizer que cobro um preço para fazer TV. Para assistir custa mais caro. Não suporto mais "indignação", "preocupação" e "emoção" ensaiadas, de estúdio, essa farsa repetitiva que ocupa o espaço entre dois comerciais.

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