terça-feira, junho 24, 2008

PARTIDOS POLÍTICOS NO BRASIL ATUAL

PARTIDOS POLÍTICOS NO BRASIL ATUAL

A Constituição de 1988 e a legislação eleitoral brasileira permitem a existência de várias agremiações políticas no Brasil. Na época do Regime Militar, a Lei Falcão estabelecia a existência de apenas duas legendas: ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), a primeira reunindo os políticos favoráveis ao regime militar, e a segunda, reunindo a oposição. Esse sistema bipartidário, após 1985, com o fim da ditadura militar, não existe mais, pois vários partidos políticos foram criados e outros, que estavam na clandestinidade voltaram a funcionar legalmente. Atualmente, os principais partidos políticos em funcionamento na atualidade são:

Partido dos Trabalhadores – PT:
O Partido dos Trabalhadores surgiu junto com as greves no ABC paulista e com o renascimento do movimento sindical brasileiro no início da década de 1980. No primeiro momento, apareceu no cenário político como uma grande força de oposição representando os trabalhadores, funcionários públicos e classes populares. De base socialista, o PT defendia pontos polêmicos como a reforma agrária e a justiça social. Atualmente, governa de forma pragmática o país através do presidente Luis Inácio Lula da Silva e suas principais metas têm sido o crescimento econômico com estabilidade econômica, controle inflacionário e geração de empregos, e distribuição de renda através de programas sociais.

Partido da Social-Democracia Brasileira - PSDB:
Criado em junho de 1988 por um grupo de parlamentares do PMDB alijado das administrações do presidente José Sarney e dos governadores do partido. Na época de sua fundação, políticos como Franco Montoro, Mario Covas, Fernando Henrique Cardoso e José Serra defendiam o Parlamentarismo, posteriormente, abandonaram essa bandeira. O PSDB nasceu com base exclusivamente parlamentar, algo exótico para um partido social-democrático, sem vínculos com organizações sindicais e movimentos sociais. O PSDB cresceu muito durante os dois mandatos na presidência de Fernando Henrique Cardoso, que foi marcado por reformas constitucionais liberais, privatizações e alto endividamento externo. Atualmente, com apoio da mídia é a principal força de oposição ao governo Lula, mas está sem discurso face à política econômica do governo, defendida, parcialmente, por alguns de seus ideólogos como Mendonça de Barros.

Partido do Movimento Democrático Brasileiro - PMDB
Fundado em 1980, reuniu uma grande quantidade de políticos que integravam o MDB na época do governo militar. Identificado pelos eleitores como o principal representante da redemocratização do país, foi o vencedor em grande parte das eleições ocorridas após o regime militar. Em 1986, José Sarney, que havia migrado do PDS, sucessor da ARENA, tornou-se Presidente da República após a morte de Tancredo Neves. Ainda nesse ano, com o sucesso do Plano Cruzado, o Partido conseguiu eleger a grande maioria dos governadores e dos parlamentares. Com o fracasso dos modelos econômicos adotados pelo Governo de Sarney, o PMDB entrou em declínio, mantendo ainda a maioria dos governadores e grande número de parlamentares, mas não possui uma unidade nacional e, tampouco, ideológica, congregando políticos de perfis políticos bastante diversos como Roberto Requião e José Sarney.

Democratas – DEM:
O antigo Partido da Frente Liberal - PFL foi criado em 1984 por vários políticos dissidentes do PDS (ARENA) ligados umbilicalmente com o sistema financeiro, o agro-negócio e a classe empresarial brasileira. O Partido, ao longo das décadas passadas, apoiou e deu sustentação política aos governos Sarney, Collor, Itamar e FHC. Atualmente, bastante fragilizado por sucessivas derrotas eleitorais e por seu distanciamento das aspirações populares, tendo apenas como cargo de relevo a Prefeitura de São Paulo, o Partido faz oposição ao governo Lula, mas seu programa político, defendendo uma economia livre de barreiras e a redução de taxas, impostos e de gastos sociais, não têm tido muitas repercussão entre os eleitores, o que vem ocasionando uma redução permanente de sua base parlamentar e de cargos executivos.

Os demais partidos políticos não possuem a expressão nacional e a organicidade desses quatro, merecendo uma análise menos detalhada.

O Partido Democrático Trabalhista – PDT foi criado em 1981, pelo ex-governador Leonel Brizola e resgatou as principais bandeiras defendidas pelo extinto PTB de Getúlio Vargas. De tendência nacionalista, o Partido defende o crescimento econômico do país por meio do investimento na indústria nacional, tendo sido contrário às privatizações do Governo FHC. O partido tinha como redutos políticos os estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, entretanto, diante o fracasso de suas administrações regionais e esgotamento do modelo populista brizolista, o Partido perdeu o apoio de sua significativa base eleitoral popular, que migrou, basicamente, para o Partido dos Trabalhadores e para políticos como Garotinho.

O Partido Comunista do Brasil - PC do B foi fundado em 1962 a partir de uma cisão do antigo Partido Comunista do Brasil – PCB. Na época do regime militar, o Partido foi colocado na ilegalidade e seus partidários entraram nas fileiras da luta armada contra os militares, tendo organizado a Guerrilha do Araguaia que foi dizimada pelo Regime. O PC do B, que voltou a funcionar na legalidade somente em 1985, defende o ideário socialista e tem como bandeiras principais a luta pela reforma agrária, distribuição de renda e igualdade social e faz parte da base de apoio do Governo Lula.

O Partido da República - PR foi criado em 24/10/2006 com a fusão do Partido Liberal - PL e do Partido da Reedificação da Ordem Nacional – PRONA em face da cláusula de barreira que dificultaria atuação parlamentar de ambos. O primeiro entrou em funcionamento em 1985, fundado pelo deputado Álvaro Valle, reunindo vários políticos da antiga ARENA e também dissidentes do PFL e do PDS; o segundo, foi fundado por Enéas Carneiro, que defendia idéias de cunho fascista. Atualmente, o Partido tem uma proposta de governo que defende o liberalismo econômico com pouca intervenção do estado na economia e a redução da taxa de juros. É o Partido do Vice-Presidente José de Alencar, empresário bem sucedido do ramo têxtil.

O Partido Popular Socialista - PPS foi criado em 1992 sobre o espólio do antigo PCB, mas, apesar da denominação socialista, o Partido não possui mais nenhuma conexão com esse ideário, pois modificou fundamentalmente suas bases ideológicas, aproximando-se do ideário liberal. Tanto assim, que sua principal figura política da atualidade, o ex-senador Roberto Freire é opositor empedernido do Governo Lula.

O Partido Progressista - PP foi criado em 1995 com a fusão do PPR com o PP e PRP. Tem como base políticos do antigo PDS, que surgiu a partir da antiga ARENA. O PPB defende idéias amplamente baseadas na economia de mercado. Seus principais representantes são o ex-governador e ex-prefeito Paulo Maluf de São Paulo e o senador Esperidião Amin de Santa Catarina.

O Partido Socialista Brasileiro - PSB foi fundado em 1947 e defende transformações na sociedade que representam a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos brasileiros na busca pelo Socialismo com. Atualmente, faz parte da base de apoio ao Governo Lula.

O Partido Trabalhista Brasileiro – PTB foi fundado em 1979 por Ivete Vargas, filha do ex-presidente Getúlio Vargas, que havia lutado pela legenda do antigo PTB com Leonel Brizola. No início, o Partido pregava o retorno dos ideais nacionalistas defendidos por Vargas. Posteriormente, abandonou esse ideário, constituindo-se como uma legenda sem muita força política, com espectro mais à direita e defendendo idéias identificadas com o liberalismo.

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU foi fundado em 1994 por dissidentes do PT e de outras correntes políticas de Esquerda. Seus integrantes defendem o fim do capitalismo e a implantação do socialismo no Brasil.

O Partido Verde – PV, que foi fundado em 1986, possuía, originalmente, uma base ideológica mais ligada à luta ecológica. Seus integrantes eram favoráveis ao respeito aos direitos civis e formas alternativas de gestão pública e lutavam contra as ameaças ao clima e ao ecossistema. No entanto, na cidade do Rio de Janeiro onde o Partido é mais forte, o PV, contraditoriamente, participou dos Governos Municipais de César Maia do DEM, que é acusado de não ter contido a favelização da cidade e de não respeitar a natureza, pouco investindo nas despoluições das lagoas, da baía e dos rios da cidade, perdendo seu sabor de novidade e atratividade para a juventude.

Os demais partidos são o P-SOL, dissidência do PT a partir da crise do Governo Lula; o PRTB - Partido Renovador Trabalhista Brasileiro; o PT do B - Partido Trabalhista do Brasil; o PTN - Partido Trabalhista Nacional; o PTC - Partido Trabalhista Cristão; PSL - Partido Social Liberal; PSC - Partido Social Cristão; PSDC - Partido Social Democrata Cristão; e o PMN - Partido da Mobilização Nacional, siglas transitórias que podem até não mais existir enquanto escrevo este artigo, com exceção apenas ao PSOL, que demonstra alguma organicidade e unidade ideológica.

CELSO GOMES

ENTREVISTA DE ANTONIO CÍCERO PARA O ALGO A DIZER

ENTREVISTA EXCLUSIVA DE ANTONIO CÍCERO PUBLICADA NO ALGO A DIZER DE JUNHO DE 2008.

Por Gustavo Dumas, Celso Gomes e Áurea Alves

O poeta, filósofo, letrista e articulista da Folha de SP Antonio Cicero é o entrevistado do Algo a Dizer deste mês. O irmão da cantora Marina Lima – que em seus artigos é um radical defensor das contribuições do Iluminismo a uma cultura universal – nos fala das grandezas e possibilidades do fazer poético nos dias de hoje e de suas relações com a canção e a filosofia.

Algo a Dizer - Poesia, música popular, filosofia: em que pontos esses três sistemas de criação e exercício do pensamento se tocam e em que pontos se diferenciam no seu trabalho com a palavra?

Antonio Cicero – Entre a letra de música e o poema, penso que a diferença é que a letra de música é feita para compor uma totalidade que é a canção; e não apenas a canção, mas a canção cantada, enquanto que o poema é feito para ser lido. Hoje em dia, costumo fazer letras para melodias que me são dadas pelos compositores. Por isso, quando as escrevo, levo em conta a melodia. Esta, por um lado, me inspira, mas, por outro lado, me obriga a seguir determinada métrica, determinado ritmo, determinado mood. Levo em conta também o compositor da melodia. Não faço a mesma coisa para João Bosco que para Adriana Calcanhotto. Além disso, levo em conta a pessoa que pretende cantá-la. Uma boa letra é uma letra que consegue contribuir para que a canção de que ela faz parte seja boa. Se ela fizer isso, então, mesmo que não seja boa para a leitura, ela é uma boa letra. Se ela não fizer isso, então, ainda que seja boa para a leitura, não é uma boa letra. Seu fim não está em si própria, mas na canção. Ela é, portanto, heterotélica. Já o poema é autotélico: seu fim está em si próprio. Se ele for bom ao ser lido, ele é bom. Por outro lado, entre a filosofia e a poesia e/ou a letra, a diferença é radical. A filosofia se serve das palavras para dizer coisas. Já a poesia se serve das palavras e das coisas que as palavras dizem para construir uma obra de arte, um objeto que vale por si, e cujo sentido não é dizer coisa alguma em particular.

Algo a Dizer - Quem e quais seriam, na cultura brasileira, as referências de Antonio Cicero?

Antonio Cicero – São muitas, de modo que vou dizer apenas algumas, e certamente vou esquecer algumas das mais importantes. Mas lembro logo de Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Caetano Veloso, Augusto de Campos, Ferreira Gullar, Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Waly Salomão, Villa-Lobos, Tom Jobim, João Gilberto, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, Lupiscínio Rodrigues, Aleijadinho, Volpi, Oscar Niemeyer, Glauber Rocha, Hélio Oiticica, Lygia Clark, José Celso, Antonio Dias, Luciano Figueiredo, Fernanda Montenegro, João Bosco, Adriana Calcanhotto, José Miguel Wisnik, Adauto Novaes, Armando Freitas Filho, Eucanaã Ferraz, Paulo Henriques Britto, Nelson Ascher, Arnaldo Antunes, Marina, Lenora de Barros, Carlos Nader, Helio Eichbauer, M.D. Magno, Gilberto Freyre...

Algo a Dizer - Letra de música é poesia, ou é apenas um texto que se ajusta à melodia?

Antonio Cicero – Um poema é uma obra de arte; e uma letra de música é parte de uma obra de arte, que é a canção. Pois bem, uma parte de uma obra de arte pode ser melhor do que uma obra de arte autônoma. Por exemplo, os afrescos que Michelangelo fez para o teto da Capela Sistina fazem parte da Capela Sistina; e são melhores do que quase todas as pinturas já feitas. Os poemas líricos gregos eram todos letras de música. Perderam-se as melodias, ficaram as letras. E estão entre os maiores poemas da literatura universal.

Algo a Dizer - Como são desenvolvidas as letras de suas músicas? Como é fazer algo que se transforma em música, que vai se transformar em canto, sem ser propriamente um músico, alguém que conhece, tecnicamente, o fazer musical?

Antonio Cicero – Mesmo sem saber nada de música, ela me emociona e me inspira alguma coisa. A partir dessa coisa, dessa emoção, desse sentimento, nasce a letra.

Algo a Dizer - Por que será que a hierarquização proposta por Ezra Pound, dividindo os criadores entre os inventores (aqueles que instituiriam a novidade) e os diluidores (aqueles que repetiriam, expandiriam o instituído pelos inventores) pegou tanto? Engraçado é que, na música, ao menos na música popular brasileira, parece não existir muito patrulhamento em relação a essa exigência de novidade, enquanto que na literatura...

Antonio Cicero – Na verdade, a classificação de Pound inclui, além dos inventores e dos diluidores, os mestres, os bons escritores sem qualidades notáveis, os beletristas e os lançadores de moda. Mas o problema é que um grande poeta pode ser todas essas coisas, ou várias delas, de modo que, no fundo, essa classificação não serve para nada: ou melhor, ela dificulta uma apreciação despreconceituosa da poesia, quando é usada para colocar cada poeta numa só dessas categorias. Desse modo, Mário Faustino, por exemplo, que, em geral, era um bom crítico, cometeu uma injustiça contra Drummond, o maior poeta da sua época. A classificação de Pound pegou porque, como todo dogma, dispensa o trabalho do pensamento, dando a ilusão de fornecer um critério simples, através do qual seja possível julgar a importância dos diferentes poetas.

Algo a Dizer - Para falar um pouco de “O mundo desde o fim”... Há uma crítica sua, urgida com muita propriedade, ao conceito de “pós-moderno”, que seria um “supermoderno”, um “chegar agora” a um “agora” que antes se quis alcançar e que, agora, efetivamente, chegou e se quer superar. Não soa como irracional esta espécie de disputa, no cerne do moderno, pelo “agora” mais “agoral” possível? Que tempo é este em que se quer sempre descartar, negar um dado presente, sem necessariamente afirmá-lo como passado ou memória?

Antonio Cicero – Minha crítica é muito simples: moderno quer dizer “pertencente a agora”, ou “agoral”. Sendo assim, “pós-moderno” quer dizer “pertencente ao que vem depois de agora”, ou “pós-agoral”. Mas sempre é agora. O que vem depois de agora não existe. Como pode, então, alguma coisa pretender pertencer ao que vem depois do agora? Como pode alguma coisa ser pós-moderna?

Algo a Dizer - Que peso a tradição da ruptura, característica da modernidade, ainda exerce sobre quem cria?

Antonio Cicero – A ruptura é sempre a ruptura da imposição de alguma regra tradicional. Quando nenhuma regra mais é imposta a ninguém – pois todas já foram rompidas, inclusive a regra da ruptura –, não há mais ruptura: não há mais lugar para a tradição da ruptura. Essa é a situação hoje.

Algo a Dizer - O quanto movimentos como o de Mário Chamie e a Poesia Práxis, que postulavam que a palavra poética nunca deveria surgir refém de uma teoria prévia, e a própria produção da chamada Geração Mimeógrafo, que utilizava de sua condição de marginalidade para combater tudo o que lembrasse o poder, influem na produção de poesia contemporânea e na poesia de Antonio Cicero?

Antonio Cicero – Independentemente de Chamie e da Poesia Práxis, sempre achei que a poesia vem antes da teoria. Entretanto, é provável que tanto a Poesia Práxis quanto a poesia da Geração Mimeógrafo me tenham influenciado, pois praticamente tudo me influencia, mas não se trata de influências conscientes.

Algo a Dizer - De onde surge o novo, sem vanguardas? E, por outro ângulo, quem verá o novo, se cada vez mais há expansão e diluição de suportes, num mundo desterritorializado?

Antonio Cicero – Todo novo poema é novo, ponto. Além disso, sempre haverá arte experimental. Mas ela não deve ser chamada de “vanguarda”, porque só são de vanguarda os movimentos que legitimamente têm a pretensão de estar à frente dos demais, apontando o caminho que estes deverão seguir. Ora, seria ridículo pensar que alguém esteja “à frente” dos outros, no cenário contemporâneo. Não há mais poetas “avançados” e poetas “atrasados”, mas apenas poetas bons e poetas ruins

Algo a Dizer - Há escassez de filósofos em língua portuguesa ou a filosofia em língua portuguesa se manifestaria pela exploração de outros campos da linguagem?

Antonio Cicero – Na minha opinião, há mesmo escassez de filósofos, e não devemos tentar escamotear esse fato, mas tentar superá-lo, praticando a filosofia.

Algo a Dizer - O que você pensa acerca da função da crítica na arte? Estaria ela, hoje, também recolhida em nichos, guetos que se auto-elogiam?

Antonio Cicero – A crítica de arte de fato se encolheu nas últimas décadas, mas tenho a impressão de que isso vai mudar. Acho que os próprios artistas sentem cada vez mais necessidade de criticar e discutir a arte.

Algo a Dizer - Percebe-se que, assim como as mudanças na música, houve uma mudança nas letras, com o passar dos tempos. Como você percebe isso?

Antonio Cicero – De modo geral, há mais liberdade hoje

Algo a Dizer - Em analogia com seu poema “Guardar”, que dá título ao livro homônimo: a poesia ainda guarda alguma coisa? Depois dos ícones Drummond e Cabral, é possível fazer poesia no Brasil sem cair na mesmice multiplicada que vemos em vários poetas contemporâneos, cuja produção ficou restrita a nichos universitários, antologias, coletâneas, coleções autopromocionais e blogues?

Antonio Cicero – Há mais espaços e veículos para a poesia, mas não acho que isso seja ruim. E não percebo a mesmice de que você fala. Todo tipo de poesia é feito e, de um modo ou de outro, divulgado hoje.

Algo a Dizer - Há algum aspecto, nome ou movimento que você queira destacar, na produção atual de literatura, filosofia ou mesmo na música brasileira?

Antonio Cicero – Para citar só uma coisa: as reflexões sobre a canção e sobre o cancionista, de Luis Tatit, são extremamente originais.

Algo a Dizer - Para encerrar: você ainda sente culpa por brincar com as palavras, fazendo poesia (risos)?

Antonio Cicero – Hoje as coisas se inverteram: lamento que os compromissos de trabalho “sério” não me permitam dedicar uma parte maior do meu escasso tempo à poesia, que, para mim, é o que há de mais importante.

sexta-feira, junho 20, 2008

ALGO A DIZER

Já está no ar a atualização do mês de JUNHO do jornal de Cultura e
Política Algo a Dizer (www.algoadizer.com.br), com as seguintes
matérias:

1) ENTREVISTA - exclusiva com o poeta, filósofo, letrista e articulista

da Folha de São Paulo, Antônio Cícero:
http://www.algoadizer.com.br/edicao_09/entrevista.htm;

2) OPINIÃO - As Chances de Molon, artigo sobre as eleições para
prefeito do Rio de Janeiro, por Kadu Machado:
http://www.algoadizer.com.br/edicao_09/opiniao.htm;

3) CINEMA - Celso Gomes comenta "O Sonho de Cassandra", de Woody Allen
e "Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto" de Sidney Lumet:
http://www.algoadizer.com.br/edicao_09/cinema.htm;

4) SAÚDE - Medicamentos: Um Problema Sem Remédio no Brasil, por Luiz
Felipe Moreira Lima: http://www.algoadizer.com.br/edicao_09/saude.htm;

5) HISTÓRIA - Conflitos Étnicos Africanos; Rivalidades Africanas no
Tráfico Escravista, por Alzira Martins:
http://www.algoadizer.com.br/edicao_09/historia.htm;

6) CONTO - A Hora Púrpura, por Maria Balé:
http://www.algoadizer.com.br/edicao_09/conto.htm;

7) POESIA - Paraguas XII e XVI, por Pedro Candela:
http://www.algoadizer.com.br/edicao_09/poesia.htm;

8) CRÔNICA - A Palavra Pode Ficar, por Gustavo Dumas:
http://www.algoadizer.com.br/edicao_09/cronica.htm;

9) ENSAIO - A Época Neoliberal: Revolução Passiva ou Contra-Reforma?,
do professor da ESS/UFRJ Carlos Nelson Coutinho:
http://www.algoadizer.com.br/edicao_09/ensaio.htm.

Boa leitura

terça-feira, junho 17, 2008

ELEIÇÕES EM BELO HORIZONTE

A tese do entendimento em BH foi nacionalizada por seus idealizadores - Aécio e Pimentel.

O PT não tem nada haver com isso! Respondendo a entrevista no JB deste final de semana, o presidente Lula, perguntado se não há preconceito do PT com partidos aliados, no caso do rompimento do PMDB por causa de dificuldades de algumas alianças no interior do RJ, Lula respondeu que "não podemos misturar divergências político-ideológicas com preconceito". Em seguida disse que "no Rio, o PMDB decidiu por candidatura própria. Eu não posso dizer que não, porquê o PMDB tem o governador. Mas o PT também terá candidato".Quando perguntado sobre BH, Lula disse que é "um crítico do comportamento do PT", pelas seguintes razões: O problema é local, foi aprovado pela municipal e estadual, o candidato é do PSB, o vice é do PT, não vai ter coligação na chapa de vereadores. E o Aécio estará apenas apoiando. E pergunta qual é o estigma, já que em outros lugares o PT se aliará ao PSDB e ao PFL.

A questão é que:

1. A aliança PSDB/PT, foi nacionalizada por ambos - prefeito e governador. Todos os argumentos são de que não há grandes diferenças políticas e ideológicas entre os projetos do PSDB e PT. (sobre a nacionalização do debate em torno da fórmula idealizada para unir PT e PSDB via candidato do PSB, há uma vasta bibliografia nos jornais e revistas de circulação nacional, além de programas de Rádio e TV).

2. O acordo entre os dois foi comunicado pela imprensa: A fórmula e o candidato.

3. Aécio não está apoiando, está coordenando todo o processo.

4. Não há estigma, nem preconceito, há diferenças político-ideológicas enormes entre o PT e Aécio Neves. ( Sobre esse tema também há vasto material na mídia escrita, falada e televisionada onde o governador tece críticas contundentes ao PT e ao governo Lula. O governo dele em Minas não tem nada que possa nos unir - nem nos métodos nem em suas prioridades. O PT é oposição ao governador, aprovado no Congresso do partido em Minas).

5. No caso de Minas, o PSDB tem o governador, mas o PT tem a prefeitura da capital. O correto era o PT ter o candidato e liderar uma Frente. Ocorre que o Aécio tem um candidato e coordena uma Frente, na qual o papel do PT é de coadjuvante. Aécio organiza sua base de sustentação em torno da chapa de BH e tira o PT sem precisar disputar eleição, usando o nosso tempo de TV, dividindo nossa base social e nossa militância. É um estrago no Partido em Minas Gerais.

6. Por tudo isso está correta a posição da Direção Nacional, que não está entrando em nenhuma briga que não é dela. Pelo contrário, está garantindo o caráter nacional do PT, e fazendo valer a aplicação de nossa política de alianças. Esta é a função da direção, aprovar diretrizes e implementá-las. Foi agindo assim que o PT cresceu, se estabeleceu e elegeu Luiz Inácio Lula da Silva, depois de três eleições seguidas. E se transformou no partido de maior preferência popular do país.

Gleber Naime - Secretário Nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores

terça-feira, junho 10, 2008

O SONHO DE CASSANDRA É ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO



O SONHO DE CASSANDRA É ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO

Dois filmes em exibição merecem uma reflexão para além da estética do cinema, pois remetem a elementos fora deste último. Faremos uma breve introdução sobre ambos para, posteriormente, apontar esses elementos exteriores ao entrecho dos dois.
O primeiro filme é O Sonho de Cassandra, de Woody Allen. Filmado em Londres, o filme conta a história de irmãos que buscam melhorar suas vidas. Um deles é um jogador crônico com dívidas a pairar sobre a sua cabeça e o outro é um jovem que tenta viver como “playboy” e se apaixona por uma bela atriz. A vida dos dois irmãos é enredada em uma situação com infelizes resultados. Apesar de a crítica especializada considerar que Allen flerta com as tragédias gregas desde Poderosa Afrodite, no qual a profetisa Cassandra aparecia dizendo: “Eu vejo desastres. Eu vejo catástrofes. Pior: eu vejo advogados!” Neste filme, creio que Allen flerta descaradamente com Dostoievski em Crime e Castigo, ou com Fausto de Goethe, com sua história do pacto em troca do sucesso material, no qual ele explora o lado negro da ambição.
O segundo é Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto do diretor Sidney Lumet. O filme é interessante e o espectador é levado a um estado de tensão que não termina após o final da fita. Lumet, que dirigiu também o ótimo Um dia de cão, utiliza uma técnica de ir retrocedendo as cenas para contar a visão e a participação de cada um dos personagens por vez. O filme narra a história de dois irmãos, Andy e Hank, que também buscam modificar suas vidas materialmente. Andy, o mais velho, mora em um belo apartamento, possui um excelente emprego e vive com uma mulher belíssima, porém fútil. Em determinado momento não narrado no filme, sua vida começa a desmoronar. Talvez, levado por essa ruína iminente, Andy passa a usar drogas pesadas, algo que vai se intensificando ao longo do filme. Ele termina desviando dinheiro que a empresa destinava para impostos e outros encargos para seus gastos pessoais e, diante de uma auditoria que se aproxima, formula um golpe, como solução para seus problemas financeiros. O outro irmão é divorciado, possui uma filha entrando na adolescência e trabalha na mesma empresa que Andy, porém em cargo bem inferior, que não lhe permite sequer pagar suas pensões, levando sua ex-mulher ao desespero. Diante do desejo da menina de ir a Broadway ver O Rei Leão, Hank aceita participar do golpe proposto pelo irmão.
Nos dois filmes, mesmo que um deles seja filmado em Londres, é a família estadunidense que está em cheque. Os irmãos são viciados em jogo, ou em drogas, e vivem, ou querem viver, além de suas possibilidades materiais, com padrões de consumo que não conseguem sustentar. Não é por acaso que o próximo presidente norte-americano herdará um déficit de 5,5 trilhões de dólares. O segundo filme mostra uma família completamente desestruturada. O fracasso de Hank é cobrado pela filha e pela ex-mulher. Aliás, esse fracasso não é tolerado por seus familiares, que o espetam em vários momentos denominando-o de chorão. Há um problema de ordem emocional não explicitado, porém extraível das relações familiares, que se relaciona de forma inexorável com o dinheiro, com a decadência.
As duas histórias possuem claros elementos de contato e algumas reflexões surgem como perguntas, pois sabemos que o cinema não é apenas entretenimento. O que está acontecendo no Império? Algo de podre aconteceu com o “self made man”? Os valores norteadores do capitalismo norte-americano, que criaram a maior nação do ocidente em termos capitalistas estão ruindo e levando junto os pilares da família? Diante do fracasso iminente, podemos perguntar: o que aconteceu, a locomotiva está parando, ou suas engrenagens apodrecendo? Não há lugar para o fracasso, então como conviver com os milhões de excluídos desse sistema perverso que bestializa as pessoas?
No entanto, não podemos esquecer que esses valores norteadores não estão sendo contraditados pelos cineastas em questão. Os filmes retratam momentos históricos, mas seus diretores não refletem sobre os mecanismos que levam até essa provável bancarrota. De qualquer sorte, em julho estreará Batman – O Cavaleiro das Trevas, e ainda se encontra em exibição O Homem de Ferro. O Império contra-ataca e nos salvará a todos. Do que não sabemos.

Celso Gomes

segunda-feira, junho 02, 2008

VERGONHA NA ALERJ!!!

VERGONHA NA ALERJ!!!

Vamos cada vez mais qualificar o nosso voto, veja como votaram os deputados estaduais eleitos pelo povo do Estado do Rio de Janeiro sobre a revogação da prisão do Dep. Alvaro Lins que tinha sido preso, em flagrante, pela Polícia Federal.

E como amplamente divulgado na mídia escrita e falada foram encontrados documentos que comprovariam o envolvimento de Lins em um suposto esquema de ajuda a criminosos.
Pela lei, o deputado tem imunidade e pode ser preso somente em flagrante, o que foi configurado. A legislação também determina que, uma vez preso, é a Casa quem decide se ele permanece na cadeia. O TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região decretou a prisão de dez pessoas, e o Ministério Público Federal denunciou 16, incluindo o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (PMDB). Para a PF e a Procuradoria, Lins e Garotinho mantiveram um esquema com policiais corruptos que protegia os contraventores Rogério Andrade e Fernando Iggnácio na guerra pelo controle de caça-níqueis no Rio. Segundo a PF, o grupo utilizava delegacias estratégicas, principalmente a de Proteção ao Meio Ambiente, para as ações.
Votaram contra a revogação da prisão de Lins
1 - Alcides Rolim (PT)
2 - Alessandro Molon (PT)
3 - Cidinha Campos (PDT)
4 - Comte Bittencourt (PPS)
5 - Fernando Gusmão (PCdoB)
6 - Flavio Bolsonaro (PP)
7 - Gilberto Palmares (PT)
8 - Inês Pandeló (PT)
9 - Marcelo Freixo (PSOL)
10 - Nilton Salomão (PMDB)
11 - Olney Botelho (PDT)
12 - Paulo Ramos (PDT)
13 - Rodrigo Neves (PT)
14 - Sabino (PSC)
15 - Wagner Montes (PDT)

Votaram a favor da libertação de Lins
1 - Alessandro Calazans PMN
2 - Anabal PHS
3 - Aparecida Gama PMDB
4 - Atila Nunes DEM
5- Audir Santana PSC
6 - Beatriz Santos PRB
7 - Chiquinho da Mangueira PMDB
8 - Coronel Jairo PSC
9 - Délio Cesar Leal PMDB
10 - Dica PMDB
11 - Dionisio Lins PP
12 - Domingos Brazão PMDB
13 - Dr. Wilson Cabral PSB
14 - Edino Fonseca PR
15 - Edson Albertassi PMDB
16 - Fábio Silva PMDB
17 - Geraldo Moreira da Silva PMN
18 - Gerson Bergher PSDB
19 - Glauco Lopes PSDB
20 - Graça Matos PMDB
21- Iranildo Campos PTB
22 - João Pedro Figueira DEM
23 - João Peixoto PSDC
24 - Jorge Babu PT
25 - Jorge Picciani PMDB
26 - Luiz Paulo PSDB
27 - Marcelo Simão PHS
28 - Marco Figueiredo PSC
29 - Marcus Vinicius PTB
30 - Mario Marques PSDB
31 - Natalino DEM
32 - Paulo Melo PMDB
33 - Pedro Paulo PSDB
34 - Rafael Aloisio Freitas DEM
35 - Rogerio Cabral PSB
36 - Ronaldo Carlos de Medeiros PSB
37 - Sheila Gama PDT
38 - Sula Do Carmo PMDB
39 - Tucalo PSC
40 - Waldeth Brasiel PR

Faltaram à sessão:
1 - Alair Correa (PMDB)
2 - Altineu Cortes (PT)
3- Alvaro Lins (PMDB) - POR MOTIVOS ÓBVIOS (ESTAVA NO XILINDRÓ)
4 - André Corrêa (PPS)
5 - André do PV
6 - Armando José (PSB)
7 - Graça Pereira (DEM)
8 - Jodenir Soares (PTdoB)
9 - José Távora (DEM)
10 - José Nader (PTB)
11 - Marcos Abrahão (PSL)
12 - Nelson Gonlçalves (PMDB)
13 - Pedro Augusto (PMDB)
14 - Roberto Dinamite (PMDB)
15 - Zito (PSDB)