terça-feira, setembro 04, 2007

MIDIA

Estou divulgando para reflexão esse artigo, que faz uma comparação entre o tratamento dado pela mídia ao acidente da TAM e o acidente ferroviário na Baixada Fluminense.


JORNALISMO 171

O cuidado com que a Globo vem tratando a tragédia do trem de prefixo UP-171, em Austin, é diametralmente oposto ao açodamento com que culpou o Governo no episódio da tragédia do avião da TAM, em São Paulo.
A solitária voz do presidente do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil, Valmir de Lemos, o Índio, tem ocupado parco espaço na mídia, que ainda não tem explicações para um acidente que aponta para dois culpados: falhas na sinalização e defeito nos equipamentos. Nenhum órgão da imprensa tupiniquim teve peito de divulgar os nomes dos responsáveis pela sinalização e/ou pelos equipamentos.
Existe, também, uma diferença sócio-econômica flagrante. Em São Paulo, os passageiros do avião eram todos de classe média para cima. Em Austin, distrito do distante município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, todos eram operários, desempregados, gente humilde que não tem voz na grande imprensa.
Enquanto em São Paulo a mídia reclamava acomodações e transporte para os parentes das vítimas, em Austin os trabalhadores que residem nas estações que a sucedem terão de se virar por conta própria. O sentimento de justiça social, pelo visto, anda longe da grande imprensa. Sem direito a voz na mídia, muitos trabalhadores terão de andar quilômetros a pé até Comendador Soares, enquanto a situação não for reparada.
A tragédia só não tomou proporções ainda piores porque o acidente ocorreu às 16h09min. Se tivesse ocorrido no horário de pico (com saída da Central do Brasil entre as 17h30min e as 20 horas) o número de feridos e vítimas fatais seria infinitamente maior.
Se você pensa em acompanhar o desenvolvimento das investigações, desista!
Como os envolvidos são todos da periferia, a grande imprensa logo vai encontrar outra tragédia para vender mais jornais e os mortos e feridos no acidentes do UP-171 serão esquecidos
.Os culpados continuarão a tomar seus uísques à beira de piscinas confortáveis, sem sentimento de culpa. Afinal, o que contam pobres operários e homens e mulheres desempregados à procura de colocação num mercado de trabalho cada vez mais seletivo e excludente?

Visitem o blog: http://vaptvupt.blogspot.comAgrícola Ramos - Rio de Janeiro - RJ
Jornalismo e Assessoria de Comunicação(21) 2276-9980/9390-5233

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