quinta-feira, setembro 13, 2007

JORNAL ALGO A DIZER

Meus amigos
Já está no ar a edição de setembro do jornal de Cultura e Política
"Algo a Dizer" (http://www.algoadizer.com.br/):

Especial: Entrevista com o escritor Antônio Torres;

Cinema: crítica do filme Primo Basílio, de Daniel Filho;

Comportamento: mulheres Maracanã;

Saúde: a origem da crise dos hospitais públicos;

Meio-ambiente: entrevista com o ambientalista Sérgio Ricardo;

Ensaio: O Estado Novo do PT, de Luiz Werneck Vianna;

Política: análise da política de alianças do governo Lula;

Internacional: artigo sobre o conflito no Oriente Médio;

Comunidades: os 14 anos do AfroReggae.

Aproveite e mande suas críticas, idéias, sugestões, propostas, etc.
para que possamos aperfeiçoar a página na internet.
As colaborações também serão bem vindas e os textos submetidos ao
conselho de editores.
Boa leitura e um forte abraço

terça-feira, setembro 11, 2007

POLÍTICA INTERNACIONAL - 11/09/1973


11/09/07
Salvador Allende vive!

Manhã do dia 11 de setembro de 1973. Chile. O Exército daquele País bombardeia impiedosamente o palácio La Moneda, em Santiago, sede da Presidência da República. Encerrava-se, assim, a trajetória de um dos políticos mais vibrantes e humanistas da história da América Latina. Exatamente hoje faz 34 anos que foi assassinado o presidente chileno, o socialista Salvador Allende. O Chile inicia uma fase de ditadura militar, comandada pelo general Augusto Pinochet, que resultou em mais de 100 mil pessoas presas e torturadas e por volta de 30 mil executadas.


A vida e morte de Salvador Allende produzem ainda hoje milhares de livros, teses, estudos, filmes e documentários. Melhor ainda, em vários cantos da América Latina, Allende vive nas lutas de tantos homens e mulheres do povo que carregam nos corações a esperança de um mundo mais justo e livre. Mesmo que a grande mídia forme as novas gerações cegas e surdas para a história de um homem que derramou seu sangue pela causa de uma vida plena para os mais pobres, Allende continua vivo como símbolo a animar os vencidos pelos fatos consumados. A coluna de hoje procura contribuir, de forma bastante modesta, com uma parte muito sucinta e desconhecida da história de Allende.


Salvador Allende Gossens nasceu em 26 de junho 1908, em Valparaíso, no Chile. Seu pai era advogado e militante do Partido Radical. Por volta de 1922, o jovem Allende conhece Juan Demarchi, um velho anarquista italiano, que acaba lhe influenciando ideologicamente. É com ele que o menino Salvador tem contato com os primeiros textos marxistas. Depois de cumprir o serviço militar, chegando a ser oficial da reserva, Allende entra na Universidade de Chile e vai estudar medicina. No curso, é eleito presidente do Cento de Alunos de Medicina e organiza um grupo de estudos, que periodicamente se dedica a textos marxistas.


Frente Popular - Nos anos 30, chega a ser vice-presidente da Federação dos Estudantes dos Chile e participa ativamente da luta contra a ditadura do presidente Carlos Ibañez. Chega a ser expulso da universidade, mas retorna e conclui seus estudos. Em 19 de abril de 1932, participa da fundação do Partido Socialista do Chile. Allende também escreve, com a colaboração de José Vizcarra, um livro sobre a estrutura de saúde nacional. Chega a ser dirigente da Associação Médica Chilena. Em março de 1936, participa ativamente da criação da Frente Popular(FP), onde é eleito secretário geral, e assume a província de Valparaíso. Lá, coordena a campanha presidencial de Pedro Aguirre Cerda, pela FP. No Governo Aguirre, Allende assume o cargo de ministro da Saúde e da Assistência Social.


Em 1941, Allende conhece de perto Victor Raúl Haya de la Torre, no Peru, fundador da Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra), um índio que organizou as massas indígenas e os intelectuais peruanos a partir de um programa nacionalista e com forte orientação marxista. Em 1945 é eleito senador. Descontente com os rumos do Partido Socialista, que abandona a luta pelo socialismo, ele se integra ao Partido Socialista Popular. Allende acaba construindo uma Frente do Povo, com apoio do Partido Comunista e em 1952 ele é lançado, por esta frente para, a Presidência da República, obtendo 52 mil votos. Ainda no Senado, Salvador Allende apresenta um projeto de nacionalização do cobre, principal minério do País e que estava totalmente nas mãos de empresas americanas.


Os partidos Socialista e Socialista Popular se unificam e fundam, em 1957, o Partido da Frente de Ação Popular. Allende é novamente lançado candidato para a Presidência da República e, em 1958, perde para Jorge Alesandri. No ano seguinte, Salvador Allende conhece em Havana o processo revolucionário cubano. Mantém longos e permanentes contatos com Che Guevara e Fidel Castro. Em 1961, no Uruguai, junto com Che, denuncia o caráter propagandístico e nocivo para o povo da América Latina da Aliança para o Progresso, uma “entidade” dos Estados Unidos (CIA) que age para “caçar” os comunistas e proteger os “investimentos capitalistas americanos nos países do Sul da América”.


Assume a Presidência

Em 1964 enfrenta nova eleição presidencial pelo Partido da Frente de Ação Popular. É derrotado pelos milhões de dólares despejados pela CIA na campanha de Eduardo Frei, da Democracia Cristã. Mas, desta vez, Allende consegue cerca de 1 milhão de votos e sua liderança era incontestável. Em 1966 é eleito presidente do Senado e no ano seguinte é eleito presidente da Organização Latinoamericana de Solidariedade. Allende viaja por diversos países comunistas, como a União Soviética, Coréia, Vietnã, entre outros e mantém sólidas relações com eles. Em 1969, no Chile, é criada a Unidade Popular (UP), com comunistas e várias outras correntes e partidos de esquerda. Em 1970, Allende volta a ser candidato pela UP e em 3 de novembro daquele ano assume a Presidência da República.Cerca de seis meses depois de eleito, em 11 julho de 1971, no chamado Dia da Dignidade, Allende promulga a lei que nacionaliza o cobre e começa a fazer a Reforma Agrária. Os Estados Unidos reagem e impõem um forte bloqueio econômico ao Chile. Em 1972, Salvador Allende faz um duríssimo discurso na sede da ONU contra as ações estadunidenses e é ovacionado por longos minutos. Mas as ações do Governo Norte-Americano não pararam. Utilizando-se dos meios de comunicação (mídia) para manipular a “opinião pública”; aumentando o bloqueio econômico, que deixava o povo chileno sem alimentação e combustível; e “financiando” alguns generais das Forças Armadas, em 11 de setembro de 1973, o palácio presidencial La Moneda, em Santiago, é bombardeado com o presidente dentro dele, morrendo naquela mesma manhã.


“Colocado em un transito histórico, pagaré com mi vida la lealtad al pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que hemos entregado a la conciencia digna de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente. Tienen la fuerza, poderán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni com la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos”. Salvador Allende, através da rádio Magallanes, às 09h10mmin do dia 11/09/1973 (Santiago, Chile)

José Cristian Góes é jornalista.

terça-feira, setembro 04, 2007

MIDIA

Estou divulgando para reflexão esse artigo, que faz uma comparação entre o tratamento dado pela mídia ao acidente da TAM e o acidente ferroviário na Baixada Fluminense.


JORNALISMO 171

O cuidado com que a Globo vem tratando a tragédia do trem de prefixo UP-171, em Austin, é diametralmente oposto ao açodamento com que culpou o Governo no episódio da tragédia do avião da TAM, em São Paulo.
A solitária voz do presidente do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil, Valmir de Lemos, o Índio, tem ocupado parco espaço na mídia, que ainda não tem explicações para um acidente que aponta para dois culpados: falhas na sinalização e defeito nos equipamentos. Nenhum órgão da imprensa tupiniquim teve peito de divulgar os nomes dos responsáveis pela sinalização e/ou pelos equipamentos.
Existe, também, uma diferença sócio-econômica flagrante. Em São Paulo, os passageiros do avião eram todos de classe média para cima. Em Austin, distrito do distante município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, todos eram operários, desempregados, gente humilde que não tem voz na grande imprensa.
Enquanto em São Paulo a mídia reclamava acomodações e transporte para os parentes das vítimas, em Austin os trabalhadores que residem nas estações que a sucedem terão de se virar por conta própria. O sentimento de justiça social, pelo visto, anda longe da grande imprensa. Sem direito a voz na mídia, muitos trabalhadores terão de andar quilômetros a pé até Comendador Soares, enquanto a situação não for reparada.
A tragédia só não tomou proporções ainda piores porque o acidente ocorreu às 16h09min. Se tivesse ocorrido no horário de pico (com saída da Central do Brasil entre as 17h30min e as 20 horas) o número de feridos e vítimas fatais seria infinitamente maior.
Se você pensa em acompanhar o desenvolvimento das investigações, desista!
Como os envolvidos são todos da periferia, a grande imprensa logo vai encontrar outra tragédia para vender mais jornais e os mortos e feridos no acidentes do UP-171 serão esquecidos
.Os culpados continuarão a tomar seus uísques à beira de piscinas confortáveis, sem sentimento de culpa. Afinal, o que contam pobres operários e homens e mulheres desempregados à procura de colocação num mercado de trabalho cada vez mais seletivo e excludente?

Visitem o blog: http://vaptvupt.blogspot.comAgrícola Ramos - Rio de Janeiro - RJ
Jornalismo e Assessoria de Comunicação(21) 2276-9980/9390-5233