quinta-feira, abril 05, 2007

POESIA


A FLAUTA-VÉRTEBRA

A todas vocês,
Que eu amei e que eu amo,
Ícones guardados em um coração-caverna,
Como quem em um banquete ergue a taça e celebra,
Repleto de versos levanto meu crânio.
Penso, mais de uma vez:
Seria melhor talvez
Por-me o ponto final de um balaço.
Em todo o caso
Eu
Hoje vou dar meu concerto de adeus.
Memória!
Convoca aos salões do cérebro
Um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
Veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verte a alegria.
Esta noite ficará na história.
Hoje executarei meus versos
Na flauta de minhas próprias vértebras.

Vladmir Maiakowski(1893-1930)

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