quinta-feira, setembro 14, 2006

POESIA

NOVA POÉTICA

Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito.
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito engomadinha, e na primeira esquina passa um caminhão,
Salpica-lhe o paletó ou a calça de uma
nódoa de lama:

É a vida.

O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.
Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas,
as virgens cem por cento e as amadas que
envelheceram sem maldade.


Manuel Bandeira

1 Comments:

Anonymous Emy Neto said...

MUITO BOM SEU CELSO!!!!!!!!
UM ABRAÇO, EMY NETO.

12:57 AM  

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