terça-feira, setembro 12, 2006

POESIA

O silêncio de Pascal

“O silêncio desses espaços
infinitos me apavora
os pensamentos estraçalhados de
Pascal
são a crise de uma consciência
excepcional
no limiar de uma nova era
o místico Pascal
contempla o céu estrelado
numa vã espera de vozes
o céu calou-se
estamos sós no infinito
deus nos abandonou
“daquela estrela à outra
a noite se encarcera
em turbinosa vazia desmesura
àquela solidão de estrela”
( leopardi via haroldo de campos)
nenhum ufo
no close contact of the third kind
a solidão cósmica de Pascal
é o pendant do vazio
de sua classe social
cuja hegemonia está para terminar
os germes da revolução francesa
que vai derrubar a nobreza
e colocar a burguesia no poder
já estão no ar
Pascal ouve nos céus
o tremendo silêncio
de uma classe que já disse
tudo o que tinha que dizer
pela boca da história.

Paulo Leminski

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