quarta-feira, setembro 20, 2006

ELEIÇÕES 2006

Reproduzo abaixo dois artigos de analistas políticos sobre o acirramento do jogo eleitoral com as denúnicas da compra de um dossiê contra José Serra por petistas de São Paulo.

O VENENO PAULISTA
As pontas começam a se fechar e vai ficando claro que foi mesmo obra de petistas paulistas a tentativa tosca de comprar um dossiê contra os tucanos, por sinal também paulistas. Pontas que se unem:a) Lula estava em céu de brigadeiro mas o PT paulista destinado a sofrer umagrande derrota e a sair enfraquecido no eventual segundo Governo Lula. Oswaldo Bargas, que procurou a revista Epoca oferecendo denuncias contra os tucanos paulistas, é ligado ao PT paulista e á direção nacional.b) Paulistas e tucanos, como dizem, de um lado Lula, e de outro Aécio Neves, têm conturbado a vida política nacional com uma guerrilha particular entre eles. E nesta guerra, os petistas de SP estão levando a pior. Valeram-se do churrasqueiro Lorenzetti para comprar o dossiê com os préstimos deste Gedimar.c) E por que Gedimar falou que agiu a mando de Freud? Tudo indica que tentou proteger Lorenzetti, seu chefe imediato, ligado ao PT-SP. E resolveu mencionar o nome de um sujeito que viu no comitê, tratando de assuntos de segurança. Não sabia que este mesmo sujeito, aparentemente desimportante e modesto, era assessor direto do presidente, vinculado a sua segurança pessoal. Isso é o que está parecendo.d) Lula vai jogar os petistas que fizeram isso ao mar. Tarso Genro já deu entrevista neste sentido.e) Lula não deve sofrer grandes perdas eleitorais. Mas o PT, que estava a caminho de recuperar sua votação, fazendo uma boa bancada, por sair no prejuizo, depois de mais esta trapalhada. O PT é um péssimo feiticeiro. f) A Polícia Federal está de parabéns, embora ninguém queira reconhecer isso. Deu provas de independencia, ao abortar uma operação delituosa do partido do presidente. Este é crédito do Governo.g) os sanguessugas devem estar felizes. Poderão dizer que não aceitam a incriminação da CPI porque este Vedoim, como denunciante, não tem credibilidade.Aguardemos, o dia promete.


Tereza Cruvinel - 19/9/2006 - 16:58

A SITUAÇÃO POLÍTICA SE MEXEU. TERÁ SE MEXIDO TAMBÉM O QUADRO ELEITORAL?
13:11 19/09

O estado de ânimo das campanhas de Lula e Geraldo Alckmin ontem não poderia ser mais diferente. Entre tucanos e pefelistas, o clima era de excitação e torcida, com muita gente apostando que o escândalo da compra do dossiê contra José Serra é o empurrãozinho que faltava para levar, na undécima hora, a decisão para o segundo turno. Certa ou errada, a oposição avalia que voltou para o jogo. Está soltando foguetes pela ressurreição inesperada. Tem motivos.
Já entre os petistas, reinava o desconcerto e perplexidade. A versão oficial é de que o partido está sendo vítima de uma armação, mas esta explicação não conseguiu emplacar junto ao coração e às mentes da maioria dos militantes. Os laços internos esgarçaram-se de tal modo nos últimos 18 meses que ninguém bota mais a mão no fogo por ninguém. Gato escaldado tem medo de água fria, e no PT hoje em dia todo mundo desconfia de todo mundo. Apenas num ponto há unanimidade: pelo seu perfil e por sua fidelidade a Lula, a presença de Freud Godoy numa operação como essa não faz sentido – a menos que ele estivesse cumprindo ordens do próprio presidente, no que ninguém acredita. “Alguma coisa não fecha nessa história”, foi o que mais ouvi durante o dia de ontem de dirigentes petistas. Estão aturdidos.
De qualquer forma, tudo indica que Polícia Federal avançará rapidamente nas investigações. Tem em mãos o dinheiro, o dossiê, as gravações das conversas telefônicas e os presos em Cuiabá e em São Paulo. Com tantos elementos reunidos, não há motivo para que ela, em pouco tempo, não esteja em condições de informar à sociedade o que de fato aconteceu nesse episódio rocambolesco. A oposição, ao dirigir suas baterias contra Freud, pretende comprometer Lula – não é a toa que os jornais hoje lembram tanto relação entre Gregório Fortunato e Getúlio Vargas (vale lembrar que a história mostrou mais tarde que, por mais que parecesse inverossímil na época, Gregório não agiu a mando de Vargas). Já os governistas torcem para que Freud consiga enfraquecer a versão de que foi a eminência parda do episódio do dossiê.
De um jeito ou de outro, essa dúvida pode ser esclarecida em três tempos. Gedimar Passos, preso com a dinheirama no hotel em São Paulo, diz que recebeu todas as orientações de Freud há poucos dias. Onde? Quando? Exatamente em que circunstâncias? Freud nega. Ontem, na acareação, Gedimar preferiu ficar calado. Se Freud tiver um bom álibi, que desmonte a versão do outro, poderá se safar. Caso contrário, sua situação ficará muito complicada.
Fora da esfera policial, a dúvida é sobre o impacto do episódio no voto do eleitor. Os principais institutos de pesquisas estão em campo. O Datafolha divulga novos números hoje. Ontem à noite, no Canal Livre Eleições, da TV Bandeirantes, perguntei ao diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, se ele achava que o escândalo do dossiê poderia ser a “bomba atômica” capaz de alterar o quadro de estabilidade eleitoral que perdura há semanas, levando a decisão para o segundo turno. Ele respondeu que não, embora não descartasse a possibilidade de que o aprofundamento da crise possa gerar desdobramentos no ânimo de alguns segmentos do eleitorado. Mas até agora, explicou Coimbra, os levantamentos não captaram mudanças significativas nas intenções de voto. Está tudo como estava.
A conferir.

Franklin Martins

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