quinta-feira, agosto 10, 2006

DE HOMERO AOS ELEATAS - PARTE VI

Anaxágoras de Clazomena:
Nasceu no ano 500 a.C. em Clazomena, Jônia, Ásia Menor, e faleceu em Lâmpsaco em 428 a.C. é usualmente classificado após Heráclito e Empédocles. Estabeleceu-se em Atenas, no tempo de Péricles, por volta do ano 440 a.C. e escreveu um livro, denominado Sobre a Natureza, do qual restam fragmentos, preservados, principalmente, por Simplício, e inúmeras referências de outros filósofos. Considera-se que Anaxágoras teria influenciado na formação do pensamento de Sócrates, conseqüentemente o pensamento de Platão e Aristóteles, e teria sido obrigado a deixar Atenas por causa de uma acusação de impiedade, formulada, provavelmente, com base em uma afirmação sua, de que o sol era uma massa de metal em brasa, sendo condenado à morte. Entretanto, a história mais aceita pelos estudiosos foi narrada por Plutarco, segundo o qual Anaxágoras foi vítima de um decreto contra os ateus, que fora apresentado por um tal Diopites e que abandonou Atenas por esta razão. Como seus predecessores da Escola Jônica Nova, Anaxágoras refletiu os componentes dos corpos, bem como acerca das causas que operam as mudanças.
Simplício afirma que seu livro assim se inicia: “Estavam juntas todas as coisas, infinitas tanto na qualidade como na pequenez: pois infinito era também o pequeno. E, estando todas juntas, nenhuma delas era evidente devido à sua pequenez, porque o ar e o “aither”, sendo ambos infinitos, tudo dominavam; é que estes são os maiores ingredientes da mistura de todas as coisas, tanto em quantidade como em grandeza.” Esse fragmento demonstra como Anaxágoras vai reagir contra o monismo eleata, concebendo os corpos como sendo compostos de um número indefinido de partículas invariáveis e homogêneas: as homeomerias. A uma dessas partículas, o filósofo atribuiu inteligência, que seria ordenadora de tudo: o “nous”. É importante salientar que Anaxágoras não mais concebe as forças da natureza como opostas entre si, ao modo de Heráclito ou Empédocles, nem ao modo de muitos contrários como os pitagóricos, parecendo conciliar o mobilismo heraclitiano como o imobilismo dos eleatas. Sua reação a Parmênides (“Nunca foi nem será, pois agora é como um todo, um só, contínuo”) parece surgir da percepção que a teoria de Empédocles não era suficientemente forte para enfrentar o Eleata. Pensou ele então, que a resposta residia em mistura e separação, havendo uma parte de tudo em tudo e este é, de fato, a doutrina central de sua teoria. Anaxágoras supôs que tudo é infinitamente divisível, e o fragmento inicial de seu livro defende um estado inicial de coisas no qual há uma mistura de um número infinito de coisas infinitamente pequenas. Defende ele a tese de que, por exemplo, em um grão de trigo já está contido partes de ossos, carnes, etc., como também de trigo. Entretanto, nesse grão mesmo está contido preponderantemente trigo, porque, segundo ele, tudo é aquilo de que tem mais, mas todas essas partes encerram em si partes da mesma e das outras coisas, cada parte sendo, nesse nível, aquilo que mais contém, prosseguindo ao infinito. Anaxágoras escreveu ainda que havia elementos dos quais eram compostas as coisas, que denominou sementes. Percebendo a necessidade de algum fator para produzir a mistura e a separação, o filósofo criou o “nous”, que pode ser traduzido por intelecto, razão, ou mente, e que representa o início de uma idéia de Deus alcançado por via filosófica, e a introdução do conceito do supra-sensível na filosofia. Entretanto, Anaxágoras não substituiu completamente as forças da natureza pelo o “nous”, porquanto reconheceu a existência da força da gravidade, funcionando o “nous” apenas como uma causa mecânica.
Anaxágoras representa uma tentativa relativamente mais eficiente para enfrentar alguns problemas colocados pelos eleatas Parmênides e Zenão, revelando mais sofisticação que Empédocles. A escola Jônica Nova terá alguns representantes no período seguinte, o socrático, como Hípon de Samos, filósofo e médico, contemporâneo de Péricles, do qual resta apenas um fragmento, além das referências doxográficas. Filósofo monista como os jônicos em geral, ele propôs a água, a exemplo de Tales de Mileto, como elemento primordial.

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