terça-feira, julho 25, 2006

DE HOMERO AOS ELEATAS - PARTE I

UM PEQUENO ESTUDO SOBRE OS PRIMÓRDIOS DA FILOSOFIA

Introdução:
A filosofia ocidental teve seu início com os gregos. De fato, os primeiros filósofos, cujos nomes chegaram até nós, viveram perto do fim do Séc. VII a.C., em Mileto, uma cidade portuária colonizada pelos gregos, situada na Ásia Menor, onde, atualmente, encontra-se localizada a Turquia. Por sua proximidade com outros povos que habitavam o interior do continente: lídios, persas e babilônios, acredita-se que esses gregos teriam sofrido influência dessas culturas. Entretanto, esse provável contato não nos ajuda a compreender porque a filosofia começou com esse povo. Para que nossa investigação tenha sucesso, teremos que investigar suas causas dentro da própria cultura grega. Nesse sentido, faremos um pequeno escorço histórico dos primórdios da filosofia, que se inicia com os poetas, passa pelos Sete Sábios da Grécia, para desembocar nos pré-socráticos. Propositadamente deixaremos de fora os atomistas, para não alongarmos por demais nosso estudo e dedicaremos, quando estudarmos os pré-socráticos, uma maior atenção a Parmênides, pois a Filosofia e a História da Filosofia são a mesma coisa e é impossível não se apaixonar pelo Primeiro Metafísico.

Os poetas:
O pensamento grego se inicia com a escrita no período homérico. Homero possivelmente viveu entre os séculos IX e VIII a.C. e duas de suas obras chegaram até os nossos dias: a Ilíada, obra histórica, que narra a invasão de Tróia pelos aqueus liderados por Agamenon; e a Odisséia, uma fábula, que narra o retorno de Odisseus, herói da guerra de Tróia, após a vitória e a destruição da civilização troiana. Essa é uma característica mais marcante do pensamento grego: uma é provável; a outra não. Essas duas obras se tornarão fontes de outros autores, os poetas, que irão refletir sobre a realidade grega até o Séc. VI a.C.
O outro grande autor grego no período anterior à criação da filosofia é Hesíodo, que viveu no século VII a.C. e escreveu duas obras: A Teogonia e Trabalho e os dias. A primeira, mais abstrata; a segunda, obra sapiencial, voltada para o ensinamento do povo grego, para reflexão, de estilo mais pragmático. Em Hesíodo há uma preocupação com a origem dos mitos, fundamental para o nascimento posterior da filosofia, ou seja, a preocupação com a origem das coisas.
Outros autores de menor importância também escreveram suas obras tentando educar o povo grego, a comunidade grega, como por exemplo: Kallinos de Éfeso; outros, como Safo de Lesbos, representam o indivíduo em um mundo essencialmente coletivizado. Sua singularidade será considerada uma ameaça, sendo sufocada sua voz.

Os Sete sábios da Grécia:
Entre os séculos VI e V a.C. surgiram os sete sábios, que representam um momento de transição entre a poesia grega do período anterior e a filosofia, pois não são mais poetas, porém ainda não são filósofos. Escreviam por aforismos, sapienciais. Em geral, o que resume o pensamento deles é o que é intermediário, o que está no meio. Os primeiros filósofos, que saíram deste meio e com eles conviveram, escreveram suas obras em forma de poesia, influenciados por esses sábios e pelos poetas.
É importante salientar que a aristocracia grega era iletrada, estava afastada da "techne", do saber fazer, e esses primeiros filósofos surgem nesse atrito entre o grupo dominante e o grupo que detinha a techne. Como exemplo podemos citar o fato de ter sido Sócrates um escultor.
Retornando aos Sete Sábios, podemos traçar três linhas que se interpenetram no tempo: poetas; Sete Sábios; e filósofos pré-socráticos. Tentam, esses precursores da Ética, ensinar ao povo como viver, o que não deixa de ser uma reflexão sobre a vida. No entanto, não buscam a verdade, o Ser. É um pensamento aforístico, de transição.
A lista desses Sete Sábios é muito variada. Entretanto, alguns nomes são bastante aceitos: Tales de Mileto (“Conhece-te a ti mesmo”); Pittakos (“Aproveita o momento”); Sólon (“Nada em demasia”); Periambo (“O exercício é tudo”).
Dentre esses sábios, existe uma linha de pensamento, os chamados geógrafos, que começam a colocar em dúvida os ícones da cultura grega: Homero e Hesíodo. O representante mais conhecido desta corrente é Xenófanes.

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