sexta-feira, março 11, 2016

CRISE DE MARÇO

                                O grupo político que vai às ruas no dia 13 próximo, insuflado pela grande mídia, pela suposta delação de Delcídio Amaral e pelo juiz Moro espetacularizando a luta contra a corrupção, determinando a condução coercitiva de Lula, quiçá sua prisão, tem o direito e o dever de protestar. Todavia, esse grupo possui uma indignação seletiva contra a corrupção, pois aceita em suas hostes políticos como Paulinho da Força Sindical, Agripino Maia, Aécio Neves (citado três vezes na Lava Jato), e, até pouco tempo atrás, pasmem, Eduardo Cunha.
                                   Ninguém em sã consciência, exceto os próprios envolvidos, é a favor da corrupção. Entretanto, no Brasil, nesse momento, a parcela da população que tomou essa bandeira da luta contra a corrupção, se se analisar com atenção, não luta contra a corrupção propriamente dita, mas para derrubar o governo democraticamente eleito e apagar o Partido dos Trabalhadores – PT do mapa político brasileiro.
                                   Aí reside um problema já detectado por alguns analistas políticos, pois o PT não é apenas um partido político, mas um enorme guarda-chuva que encobre um movimento político que surgiu na luta contra ditadura civil-militar brasileira, movimento que veio, como um rio subterrâneo dentro do período autoritário e que cresceu na campanha pelas eleições diretas e ganhou corpo nas eleições de 1989.
                                   Colapsar o PT ao ponto de tirá-lo do mapa significa deixar sem interlocução política esse movimento que representa parcela considerável da sociedade brasileira. Como intermediar as aspirações do MST e do movimento sindical brasileiro sem um ator político representativo?
                                   Penso que esse colapso pode levar a um processo de ruptura institucional sem precedentes na história do Brasil. Assim nascem as guerras civis.
                                   Estamos no meio de uma luta fratricida pelo Poder, falta apenas um cadáver.
           

                                   Celso Gomes

DA PRISÃO QUE NÃO ACONTECEU

                                       Os mais importantes princípios processuais encontram-se consagrados na Constituição da República. Destes princípios gerais, o mais importante é o devido processo legal, inscrito no art. 5.º LIX, pelo qual se assegura que a sociedade somente será submetida às leis razoáveis, extraindo-se daí que as interpretações judiciais também obedeçam o mesmo princípio.
                                   Nesse sentido, podemos afirmar que o ato do Juiz Moro – determinando a condução coercitiva de Lula, segundo alguns jornalistas havia a determinação de levá-lo preso para Curitiba – esta mal fundamentado, tendo em vista que o art. 93, IX, da Constituição da República, sede do Princípio da Motivação das Decisões Judiciais, determina que toda decisão judicial deve ser motivada, sob pena de nulidade. Esta exigência visa proteger em primeiro lugar o interesse das partes que precisam saber os motivos que levaram o juiz a decidir como decidiu, porque têm a necessidade de conhecer os motivos da decisão para que possam fundamentar seus recursos; em segundo lugar, esta exigência visa proteger o interesse público, pois o juiz, ao contrário do Administrador Público e do Legislador, não é previamente legítimo, pois sua legitimidade somente pode ser auferida a posteriori, através da análise do exercício de suas funções.
                                   A decisão de Moro, de conduzir Lula coercitivamente, com fundamento em evitar tumultos, demonstra claramente que foi equivocada, pois o que se viu foram tumultos e esse fundamento não esta na lei e não pode ser considerado legítimo do ponto de vista constitucional, pois não pode ser submetido a qualquer espécie de controle. Em suma, a decisão não esta fundamentada – ou mal fundamentada – o que a faz padecer do mesmo vício, ou seja, a mesma padece flagrantemente do vício de inconstitucionalidade, pois a decisão mal fundamentada é equiparável a não fundamentada, é tão eivada de vício quanto esta, pois ambas impedem a adequada fundamentação do recurso que a parte queira interpor, além de não permitir a verificação da legitimidade da atuação do juiz, tornando impossível o controle difuso da atividade jurisdicional.
                                   Conforme as palavras do Ministro Marco Aurélio: se fazem isso com um cara que foi eleito duas vezes Presidente da República o que farão com o cidadão comum?


                                   Celso Gomes

quarta-feira, janeiro 13, 2016

UM POUCO DE POESIA



PROCURA
                   
Procuro-te no céu, no vento,
Nos pássaros, nas ondas do rádio,
Procuro-te em mim.

Às vezes, tenho a sensação latente
De que me escutas,
Então, falo aos ventos
E minhas palavras voam sem destino
A tua procura.

Procuro-te nas estrelas, no firmamento,
E, certas vezes, vejo-te sorrindo nuvens no horizonte
Tento te alcançar, mas tua distância
É longa e teu horizonte
Além de tudo que existe.

Nosso contato é tão difícil
Que às vezes desisto de tudo
E olho para o que vejo realmente,
Ali te encontro sorrindo
E me desejando boa noite. 

Celso Gomes


segunda-feira, outubro 19, 2015

REFLEXÕES SOBRE UMA CRISE ESTRANHA



                REFLEXÕES SOBRE UMA CRISE ESTRANHA
                Dicotomia
Há pouco tempo atrás, acompanhei pelo Facebook uma discussão entre alguns amigos acerca da dicotomia esquerda x direita. Alguns afirmavam, categoricamente, que essa distinção não faz mais sentido; enquanto outros defendiam a posição contrária. Posteriormente, em uma festa, um sujeito sabendo que eu tinha ligações com um partido de esquerda, taxativamente, disse-me: esse negócio de esquerda e direita acabou.
Com base nessa sentença, resolvi me debruçar sobre o assunto para entender esse fenômeno, essa necessidade imperiosa de acabar com a dicotomia, que, conforme diria Galileu Galilei, porém se move.
                Basicamente, são três as posições diante da realidade social:
1)      a conservadora, representada em toda a hostilidade às mudanças pela passeata do dia 15/03/2015;
2)       a reformista, que mantém o status quo propondo alterações de superfície, representada pelo Governo Dilma;
3)      e, finalmente, a revolucionária, que propõe a demolição da ordem vigente e sua substituição por outra, exemplo do MST.
                A essas posições correspondem às designações de direita, centro e esquerda. Essa distinção entre direita e esquerda não comporta a complexidade e, tampouco, a flutuação das posições políticas, pois uma mesma idéia pode ser sustentada em campos opostos, ou passar de um campo para outro, criando uma zona cinzenta, vulgarmente chamada de Centro. Todavia, essa dificuldade não nos deve levar a desistir de buscar uma distinção.
                É por demais sabido, mas não custa nada repisar, que essa dicotomia nasceu da disposição física dos membros da Assembléia Constituinte francesa em 1789, na qual, por afinidade, os deputados se reuniam à direita ou à esquerda do Presidente da Assembléia.  Atualmente, há uma recusa a essa oposição esquemática. Entretanto, conforme se perceberá ao longo desse artigo, mesmo essa recusa poderá ser vista como um discurso de direita.
                Há várias diferenças entre esquerda e direita:
1)            a primeira delas que podemos citar é a sociológica, por meio da qual fica patente que a esquerda representa as camadas populares; enquanto a direita, os proprietários; no entanto, é preciso verificar que nenhum dos dois campos detém o monopólio da representação classista;
2)            histórica: a esquerda, ao longo da história, tem se posicionado a favor das mudanças mais ambiciosas na sociedade, pretendendo-se essencialmente progressista, o presente e o passado pesam, aborrecem-na, busca a utopia, é idealista; ao passo que a direita é conservadora, o passado é um patrimônio a ser preservado, quer que o futuro seja semelhante a esse passado que defende ou ao presente, prefere defender, restaurar o que era. Há claramente uma oposição entre conservação (direita) e movimento (esquerda), bem como a relação com o tempo, entre ambas, não é semelhante;
3)            política: a esquerda pretende estar do lado do povo, das suas organizações, tais como partidos políticos, sindicatos, associações de bairro; a direita é mais apegada à idéia de Nação, à pátria. A esquerda tende à demagogia, enquanto a direita tende ao autoritarismo.
4)            econômica: a esquerda rejeita o Capitalismo, ou se resigna com má vontade, confia mais no Estado que no Mercado; enquanto a direita confia mais no mercado.
                A esquerda possui alguns valores que a caracterizam: igualdade, liberdade, laicidade, defesa dos mais fracos, do lazer; enquanto a direita possui como valores o gosto pelo sucesso pessoal, liberdade de empreendimento, da religião, hierarquia, segurança, pátria, família, propriedade. A esquerda pretende que os homens sejam iguais de fato, não apenas de direito, possui a justiça como um ideal de equidade, cada um de acordo com suas necessidades; para a direita, a justiça é mais uma recompensa ou sanção, a igualdade de direitos lhe basta, cada um de acordo com seus méritos.      Há ainda uma curiosidade: a não ser no período autoritário, da ditadura civil-militar brasileira, eu nunca vi um homem de esquerda recusar esse rótulo; porém, todo homem de direita que conheço pretende que esta noção não tem sentido e recusa ser classificado como tal.
                Manifestações de Junho de 2013:
As manifestações de Junho de 2013, a princípio, tiveram uma direção e pauta pela esquerda, comandada pelo Movimento Passe Livre. Posteriormente, a massa foi para a direita com os cartazes indicando claramente um conteúdo conservador, uma luta contra o marxismo. Contudo, havia dentro do movimento, uma parcela que depredava bancos e prédios oficiais, indicando que o movimento era mais plural.
                Posteriormente, com a esquerda do movimento sendo silenciada pela atuação do Ministério Público e do Judiciário, e a massa sendo cooptada pela oposição demo-tucana, esse movimento tendeu para a direita, posição na qual permanece até hoje, com cartazes horripilantes nas mãos de senhoras tão simpáticas pedindo a volta dos militares e lamentando que a ditadura não tenha exterminado a esquerda brasileira naquela época. Outros cartazes atacam o governo marxista do PT. Ou seja, onde vemos um governo acomodado, contemporizador com as classes dominantes, eles veem o Marx de Garanhuns.
                A reação conservadora foi rápida e a oposição demo-tucana cooptou o movimento para o seu lado, apesar de esse ter se iniciado contra o governo peessedebista de Geraldo Alckmin em São Paulo.
                Finalmente, com o país em ebulição, Dilma ganhou as eleições de 2014, mas a vitória eleitoral da esquerda foi transformada em derrota política, calcada nos próprios erros do Governo, nomeando um liberal para o Ministério da Fazenda e adotando uma política econômica que melhor ficaria nas mãos de Aécio Neves, bem como no acerto da mídia tucana em fragilizar o governo, um verdadeiro massacre midiático que esconde da população o fato de a oposição não ter nenhum projeto para o país, e de ser essa oposição pautada pela mídia, custeada e submetida aos interesses do grande capital e que não se sustenta sozinha, pois não possui ramificações sociais, o que se confirma com o surgimento de grupos organizados de direita, alguns de viés fascista. Perigosamente, caminhamos no fio da navalha, oposição sem povo e povo sem representação política.
                O que temos hoje é uma direita mobilizada e uma esquerda acuada no canto do ringue. Na história do Brasil, na última vez que a direita se mobilizou e se tornou militante, veio o golpe militar que durou vinte anos.  A crise não arrefece porque a oposição não aceitou o resultado da eleição de 2014 e não desceu do palanque; todavia, as eleições acabaram e não há base legal para impedimento de Dilma, vamos dar nome aos bois: É GOLPE DE ESTADO; é quebra da legalidade de inspiração golpista.
                Alguns amigos escrevem no Facebook: não sou de direita, mas sou a favor da maioridade penal aos dezesseis anos; contra os direitos dos homo-afetivos, a favor do impedimento de Dilma, ou seja, do golpe; fim do parlamento; todo poder ao Moro.
                Alguns têm pudor, querem esconder o que deve ser escondido; outros são dissimulados, não escondem o que não deveria ser escondido; mas é preciso taxar: hoje vivemos de lados bem distintos: eu, defendendo a legalidade e a continuidade do governo legitimamente eleito; e esses amigos defendem a quebra da legalidade democrática, para atender ao vil propósito de retornar ao Planalto, com base em pesquisas de opinião, que, segundo esse entendimento, valem mais do que as urnas.
                O extremismo, essa propensão humana de ir até o fim, de derrubar pontes, é a tentação daqueles mais cheios de convicções. Tendo sempre a desconfiar desses homens, pois tenho mais dúvidas que certezas, e mesmos minhas certezas possuem suas franjas banhadas pelas dúvidas, pois um objeto dado é sempre afirmação e negação, convivendo ambas, dialeticamente, dentro de si; e sei que a história é apenas a luta política dos homens. Todavia, apesar dos extremistas, o Real existe e resiste. Althusser dizia que apenas nos extremos se pensa bem; enquanto Montaigne dizia que apenas nos extremos se vive bem. Mas há momentos que não sobra espaço para o meio e radicaliza-se pelos extremos.
                Por outro lado, a oposição demo-tucana possui uma ética seletiva e esta cometendo um erro que será cobrado mais tarde. Silêncio em relação ao Eduardo Cunha, que, comprovadamente, possui contas na Suíça e ataque ao governo legitimamente eleito sem provas de envolvimento de Dilma. Agora, Eduardo Cunha acuado negocia com ambos os lados. Sabe que seu limite é o pedido de impedimento de Dilma. Se der andamento cai no dia seguinte abandonado por todos, principalmente, pela oposição.
                Finalmente, há um lado nesse ataque da mídia que tem se escamoteado completamente: o discurso ético, da luta seletiva contra a corrupção, que não se aplica aos seus próprios pares envolvidos em escândalos, por exemplo, o do HCBC, visa minar as fontes de financiamento do PT. Não que eu concorde com elas, mas a mesma regra que se aplica ao PT deixa de fora a oposição. Há um claro conluio entre mídia, oposição, ministério público, judiciário e polícia federal para ferir de morte o PT e a esquerda brasileira.
                História, com agá maiúsculo, é história política, ensina Corbisier. Essa estranha crise, na qual as Instituições financeiras não quebraram, não há endividamento externo, que o governo não recorreu ao FMI, se arrefecerá quando a oposição compreender que ninguém governa o Brasil se o impedimento de Dilma ocorrer, pois esse fato será o início de uma crise política muito pior com os movimentos sociais, que estão quietos, tomando as ruas e botando fogo no país.
                Nesse modus operandi do PSDB para voltar ao poder federal, a forma como o partido encontrou para chegar ao poder, não respeitando o voto da maioria da população, esta enterrada a cabeça de burro da democracia brasileira.
                Concluo da seguinte forma: todos os dias, na natação do meu filho, vejo as babás negras, mucamas do século XXI, cuidando dos filhos da classe média branca, e penso: esse é um dos motivos de tanta resistência em aceitar as políticas de quotas e de distribuição de renda do governo.
                Há um setor de nossa sociedade que não quer perder os privilégios, que quer ter uma mão de obra barata fazendo o trabalho que não consegue, ou que não quer fazer, delegando a criação dos próprios filhos para as velhas escravas, trazidas diretamente dos confins da enorme dívida social que possuímos com os negros brasileiros.

                Celso Gomes

quarta-feira, agosto 26, 2015

O PRÍNCIPE VOLTOU A BOSTEJAR

O PRÍNCIPE VOLTOU A BOSTEJAR

1.       Estamos vivendo uma crise econômica sem precedentes? Não sei. Eu mesmo, em minha curta existência, já vi piores. Todavia, diferentemente das crises enfrentadas por FHC, não há endividamento externo e as instituições financeiras não quebraram, há programas sociais em andamento e funcionando.
2.       A tese defendida por alguns próceres do PSDB, de apear Dilma do poder para colocar Temer em seu lugar, é a farsa, repete o momento histórico no qual Collor caiu e Itamar entrou em seu lugar.
3.       É o modus operandi do PSDB para entrar no Palácio do Planalto.
4.       FHC , taxativamente, declara que o sistema político brasileiro fracassou. Ou seja, ele não tem nada a ver com isso: não comprou nenhum deputado para aprovar sua reeleição, não loteou cargos públicos, não fez governo de coalizão, não engavetou processos em sua gestão, não tem nada a ver com a Privataria Tucana, à margem do limite da irresponsabilidade, etc.
5.       Numa coisa FHC acertou: a economia tem seus próprios ciclos.
6.       Leio alguns críticos do Governo defendendo a greve nas universidades e do funcionalismo público. São os mesmos que batiam nessas categorias no governo peessedebista, quando o funcionalismo público ficou oito anos sem reajuste salarial.
7.       Não há consenso do PSDB acerca do impeachment: tem medo da pecha de golpista.
8.       O golpe esta em andamento: Gilmar, Cunha, Aécio. Diga-me com quem andas e direi quem és.

9.       No mais, podem dizer e escrever o que quiseram. Entretanto, Dilma não tem fazenda em Buritis, apartamento em Higienópolis que não condiz com a renda de um professor universitário e apartamento na Avenue Foch em Paris (que ele diz que não é dele). 

CELSO GOMES



segunda-feira, julho 13, 2015

REFLEXÕES SOBRE O MOMENTO POLÍTICO



REFLEXÕES SOBRE O MOMENTO POLÍTICO


1) Lacan ensina: o que eu peço não é aquilo que eu quero.


2) Aécio Neves é um caso para psicanálise.


3) Não se conforma com a derrota e não dá trégua pedindo o impedimento de Dilma.


4) Se Dilma cair, o PMDB assume o poder no país: Michel no Executivo, Renan e Cunha no Legislativo.


5) Ricardo Pessoa doou dinheiro para Dilma e Aécio nas eleições 2014. O pedido de cassação de mandato no TSE não possui nenhum fundamento legal.


6) O golpe da direita estava desenhado, mas há divergências entre eles: os tucanos paulistas vão pisar no freio, não vão dourar a pílula para o menino mimado de Minas Gerais.


7) Os tucanos paulistas estão longe de querer uma crise institucional.


8) Serra aproveita o momento para tirar a Petrobras do pré-sal e abrir as portas para as petroleiras estrangeiras. Seu projeto tira da Petrobras o direito de ser a única operadora com 30% do capital dos consórcios do pré-sal, e tem como segundo passo, a eliminação do conteúdo nacional e a liquidação da partilha, da obrigatoriedade de investir os royalties em educação, saúde, meio ambiente e inovação.


9) Em um momento no qual 4.ª Frota norte-americana foi reativada e que os ianques não reconhecem o mar territorial brasileiro.


10) Além disso, quem investiu em pesquisa foi a Petrobras. Roeu o osso e agora vai ficar de fora do filé.


11) Os conservadores aproveitam o momento de recuo da esquerda para passar sua pauta retrógada.


12) Sob a liderança de Cunha, promovem uma contrarreforma política: acabaram com eleições a cada dois anos; com a reeleição; reduziram o tempo de campanha de 90 para 45 dias e o tempo de campanha no rádio e na tevê de 45 para 35 dias; constitucionalizam a doação das empresas privadas.


13) Caminham na direção do parlamentarismo, rejeitado pela população brasileira em plebiscito: querem que o povo fique fora das decisões políticas.


14) Lula é o grande pivô da crise: não querem correr o risco de vê-lo vencer em 2018.


15) Maioridade penal não é questão de governo e, sim, de Estado. O Governo Dilma se meteu em uma enrascada.


16) Outra enrascada: tentando estancar os ataques, Dilma nomeia um ministro neoliberal que vem com ajuste fiscal atacando justamente sua base social. Por isso os 9% de aprovação.


17) O ataque da mídia – discurso ético contra corrupção que não se aplica aos tucanos – visa minar as fontes de financiamento do PT. Enquanto isso, um silêncio obsequioso acerca dos quinhentos quilos de pó no helicóptero do Perrela.


18) Há um conluio entre PIG, parte do judiciário, polícia federal e Ministério Público para estrangular o PT.


19) História é história política, ensinava Roland Corbisier.


20) Os cartazes das passeatas conservadoras indicavam claramente o conteúdo desta luta: é uma luta contra o marxismo.


21) Não sei onde eles estão vendo comunismo: nesse governo recuado, confuso, atrapalhado, contemporizador com as classes dominantes?


22) Marx de Garanhuns e Rosa Luxemburgo do planalto?


23) São três as posições básicas diante da realidade social: a conservadora, representada em toda hostilidade às mudanças pela passeata do dia 15/03/2015; a reformista, que mantém o status quo propondo alterações de superfície, representada pelos governos petistas; e a revolucionária, que propõe uma demolição da ordem vigente e sua substituição por outra ordem, representada pelo PSTU e pelo MST.


24) A essas posições correspondem às designações de direita, centro e esquerda, com suas nuanças de cor.


25) Curiosidade: a não ser no período autoritário, eu nunca vi um homem de esquerda recusar esse rótulo; porém, muitos homens de direita que conheço pretendem que esta noção não tem sentido e recusam ser classificados como tal.


26) Em um debate na Globo News, nas eleições presidenciais passadas, Armínio Fraga, ministro da economia de Aécio Neves, disse que a crise acabara e que Mantega falava em crise para justificar seu fracasso na condução da economia.


27) Alguém precisa avisar à Grécia e à Europa que a crise acabou.


28) Para criar constrangimentos ao governo a oposição passou dos limites da responsabilidade. Os reajustes aprovados para o judiciário e para os aposentados inviabilizam o ajuste fiscal.






Celso Gomes



quinta-feira, março 12, 2015

CURTAS

CURTAS

1.                         Aécio Neves, Presidente Nacional do PSDB, declara que não quer o impeachment de Dilma.
                            Aloísio Nunes, senador do PSDB por São Paulo declara que não quer o impeachment de Dilma, apenas fazê-la sangrar.
                            A mesma declaração foi dada pelo prócer do PSDB, FHC.
                            O que esta por trás dessas declarações?
                            Algumas ilações:
a.                         não querem pagar para ver e serem desautorizados pela realidade;
b.                         querem ver no que dá esse movimento e, se o mesmo for positivo, passar a dirigi-lo.
c.                         realmente não querem o impeachment, pois levará a uma crise institucional sem precedentes jogando por terra o modelo político que os tem favorecido.
d.                         o que realmente querem é o aprofundamento do modelo liberal, com maiores concessões do governo à burguesia rentista, diminuindo direitos trabalhistas.

2.                         leio nos jornais de hoje que o Governo Dilma vai privatizar mais três aeroportos. Dilma piscou.

3.                         para criar problemas ao governo, os éticos apoiaram a eleição do ético Eduardo Cunha para presidência da Câmara e se aliaram ao ético Renan Calheiros para devolver a medida provisória enviada pelo governo. Vá entender.

Celso Gomes



segunda-feira, outubro 13, 2014

OS DOIS MINUTOS DO ÓDIO

OS DOIS MINUTOS DO ÓDIO

A disputa eleitoral esta dificílima e a direita brasileira, animada com a possibilidade de retomar a Presidência da República e retomar sua política rentista e de arrocho salarial, tomou a iniciativa. A atuação de sua militância nas redes sociais é de estarrecer.

Os coxinhas vociferam contra os nordestinos porque deram taxas muito elevadas de voto à Presidente Dilma – 36 pontos percentuais acima da média nacional de 42%”, registra a Folha – supostamente em troca do Bolsa-Família. Ora, é um direito do povo nordestino, como cidadãos, ter uma opção política.

Nas redes, por toda a parte, ódio, ódio e ódio: aos pobres, aos negros, aos nordestinos, aos petistas ou não-petistas que votaram na continuidade do projeto de Brasil iniciado com Lula.

Diante dessa campanha obscurantista e de ódio promovida nas redes sociais, desses dois minutos de ódio, tenho apenas uma palavra: ESGOTO.

A grande culpada dessa campanha suja, promovida, até por amigos meus, nas redes sociais é a grande mídia, que relaciona o petismo como algo demoníaco; que caracteriza como ataque toda crítica ao candidato tucano e que trata as críticas à presidenta Dilma e tentativa de liquidar com o PT como verdade absoluta.

Que mal foi feito a essa gente, cujas vidas não esta pior que 12 anos atrás?

O PT fez reforma agrária e expropriou suas terras? O PT socializou os meios de produção e tomou seus bens? Estatizou o sistema financeiro, como previa o antigo plano de governo? Suas aplicações financeiras foram dificultadas ou taxadas? Foram criadas alíquotas mais pesadas em seus impostos de renda? Tornou mais difíceis as regras para remessa de lucros ao exterior? Está mais difícil viajar para Miami? Os salários dos executivos, no Brasil, foram taxados e desvalorizados?

Infelizmente, nada disso aconteceu.

Se um marciano descesse no Brasil hoje e lesse as postagens nas redes sociais e na grande mídia, concluiria que as cidades mais ricas do Brasil estão sendo invadidas por hordas de miseráveis migrantes do Nordeste; bem como que o Governo do PT inventou a corrupção e que a oposição é formada por vestais.

Não perceberia que, ao contrário, as políticas de inclusão social e desenvolvimento regional do PT estão reduzindo a migração nordestina.

FHC, ao declarar que o PT cresceu nos grotões porque tem os votos dos menos informados, patrocinou uma espécie de ressurreição da discriminação ao voto do marmiteiro, criado pelo candidato da UDN à Presidência da República em 1950, Brigadeiro Eduardo Gomes. O brigadeiro teria dito que não precisava, na disputa com o presidente Getúlio Vargas, do voto do marmiteiro. É a perfeita tradução da visão elitista do prócer do PSDB.

Não percebem os elitistas eleitores do PSDB que o voto nordestino em Dilma nada tem a ver com Bolsa Família. Parafraseando Carville: “É a economia, estúpido.”

O Banco Central divulgou, recentemente, dados que mostram que a economia nordestina cresceu 2,55% no 2.º trimestre do ano após expansão de 2,12% no 1.º trimestre. Esses dados mostram que o Nordeste é a região do país menos atingida pelo esfriamento econômico brasileiro e que foi a única região do país que conseguiu dois trimestres consecutivos de alta no crescimento.

Mesmo que fosse pelo Bolsa-família, eu apoio a redução da miséria, como ela ocorreu no governo petista. Eu apoio a redução da desigualdade brasileira.

Por outro lado, o apoio de Marina ao PSDB lança dúvidas sobre a visão secularista do partido. Marina não tem convicções firmes de que o estado laico deva ser protegido. Além disso, nega a teoria da evolução, e outros preceitos mínimos da ciência moderna, bem como crê, contra todas as evidências científicas, que a Terra só tem quatro mil anos.

Não creio que pessoas assim sejam adequadas para gerir a economia de um país, que nesse século XXI, precisa investir pesadamente em pesquisa científica.

Afirmo sem medo de errar: nunca o Brasil foi melhor do que está hoje. Tem problemas? Tem. Todo país tem problemas. Tem corrupção? Tem. Mas a Polícia Federal e o Ministério Público estão livres para atuar, sem engavetadores gerais e pressões sobre procuradores, como a sofrida por Luiz Francisco Fernandes de Souza, do Ministério Público do Distrito Federal, no Governo FHC.

Não esqueçamos que, durante o governo de FHC, quando a maioria das empresas estatais brasileiras foi privatizada, houve falcatruas: a Privataria Tucana. Todos sabemos quem foram os responsáveis. Todavia, nenhum deles passou um dia sequer, vendo o sol nascer quadrado.

O que os tucanos nos oferecem é uma rendição à hegemonia norte-americana, que foi a marca da política externa de FHC, quando Celso Lafer, chanceler brasileiro, indo a um encontro na sede da ONU em Nova Iorque, tirou seus sapatos para ser revistado, em obediência a um guarda da alfândega ianque. Às favas, sou um representante de um Estado soberano, deveria ter dito. Mas como nosso Estado não era soberano, quebrado diversas vezes por uma política econômica equivocada, ele tirou seus sapatos e arriou as calças do Brasil.

O que o tucanato propõe, nas entrelinhas de seu discurso, é a liquidação da integração sul-americana, a privatização e o Estado mínimo, o arrocho fiscal e salarial, o corte de gastos sociais e a retirada de direitos históricos trabalhistas, acabando com a rede de proteção social e previdenciária que o PT construiu.

Por esse motivo pergunto a todo mundo: sua vida está melhor hoje do que em 2002, quando a oposição estava no comando do Brasil?

Meus amigos, não há mudanças sem luta. Sem confronto na disputa política, social e cultural não haverá mudanças, não haverá eternidade na fluência.

Celso Gomes